Nem mar tem ar.
Nem ar tem mar.
Talvez armar!
Nem mar tem ar.
Nem ar tem mar.
Talvez ramar!
Nem mar,
Nem ar!
Quando se tem ar,
aterrar…
Quando se tem mar,
arrumar…
E todo o ar foi derramado no mar,
então nasceu o ar marinho!
(Mai: 19, 2004)
Nem mar tem ar.
Nem ar tem mar.
Talvez armar!
Nem mar tem ar.
Nem ar tem mar.
Talvez ramar!
Nem mar,
Nem ar!
Quando se tem ar,
aterrar…
Quando se tem mar,
arrumar…
E todo o ar foi derramado no mar,
então nasceu o ar marinho!
(Mai: 19, 2004)
Quero dizer as coisas tim-tim por tim-tim,
Mas não posso pois meu
Sistema nervoso se aguça em piano
Essenfelder.
Trêmulo e exorcizado de vazios
Creio que por mais pagão que haja
Em minhas lembranças,
Tentarei por imagens vangloriosas,
diminutas, sustenidos e solfejos
Que retratei de cenas sem takes,
Apagá-las,
Cremá-las,
Estirpá-las
Amarrotá-las numa fita magnética,
onde uma Remington contém minha alforria verbal!
Meu lugar é ir.
Minha parada é vir.
Minha parada é cardíaca!
(Abr: 03, 2006)
Sempre fui eu.
Não raso,
Não vazio.
Sempre fui eu.
Não oco,
Não cheio.
Fui eu sempre.
Que raso ou vazio,
oco ou cheio,
Não fui!
Transbordando e me esvaindo,
Eu fui sempre.
Entradas e saídas!
Eu confundo
E o mundo sem fundos!
(Set: 09, 1999)
Óh Minha Mãe! Adorada Mãe!
Por teu ventre esvai-me em vida,
Em tuas dores noturnas,
Minha vigília percorria por teu sangue venoso,
póros, suores, fôlegos e pulsares
acariciando-te em sono…
Minha querida Mãe,
Áh! como fui tolo em não saber sofrer,
em não saber saber a hora certa
de minha sábia corda sonora de dor se desatar..
Mas eu chorei! (pelo menos tentei)
E estava lá eu, em seu colo.
Como fui tolo, meu Deus!
Eu não sei o que dizer:
Desculpe-me, Mamãe!!!
Abençoado seja o ventre que te gerou!
(Mar: 11, 2000)
Era clandestino dos afazeres…
Meio um
Meio à dois
Meio só!
Passara sua infância em estábulos,
Criara fábulas, sílaba, monólogos.
Aliás, aclamaram-no de ateu…
por simplesmente ter se retirado
da sala de jantar ortodoxa.
Alguns trajados de fraque e piteiras
supunham entre si
um asilo político.
Meio em uns.
Não era legal explodir
bombinhas nas portas das igreja,
mas fazia, fazia parte do hábito.
Mas fazia de algum meio,
Com denúncias vazias,
em mensagens explosivas.
(Dez: 04, 2004)