Arquivo para 10 de dezembro de 2007

Amarração

Posted in Poesia on 10 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Nem mar tem ar.

Nem ar tem mar.

Talvez armar!

Nem mar tem ar.

Nem ar tem mar.

Talvez ramar!

Nem mar,

Nem ar!

Quando se tem ar,

aterrar…

Quando se tem mar,

arrumar…

E todo o ar foi derramado no mar,

então nasceu o ar marinho!

                                                           (Mai: 19, 2004)

Arte Decorativa

Posted in Poesia on 10 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Quero dizer as coisas tim-tim por tim-tim,

Mas não posso pois meu

Sistema nervoso se aguça em piano

Essenfelder.

Trêmulo e exorcizado de vazios

Creio que por mais pagão que haja

Em minhas lembranças,

Tentarei por imagens vangloriosas,

diminutas, sustenidos e solfejos

Que retratei de cenas sem takes,

Apagá-las,

Cremá-las,

Estirpá-las

Amarrotá-las numa fita magnética,

onde uma Remington contém minha alforria verbal!

Meu lugar é ir.

Minha parada é vir.

Minha parada é cardíaca!

(Abr: 03, 2006)

Bordas

Posted in Poesia on 10 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Sempre fui eu.

Não raso,

Não vazio.

Sempre fui eu.

Não oco,

Não cheio.

Fui eu sempre.

Que raso ou vazio,

oco ou cheio,

Não fui!

Transbordando e me esvaindo,

Eu fui sempre.

Entradas e saídas!

Eu confundo

E o mundo sem fundos!

(Set: 09, 1999)

Majestosa Mãe (à minha mãe EDIL)

Posted in Crônicas, Poesia on 10 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Óh Minha Mãe! Adorada Mãe!

Por teu ventre esvai-me em vida,

Em tuas dores noturnas,

Minha vigília percorria por teu sangue venoso,

póros, suores, fôlegos e pulsares

acariciando-te em sono…

Minha querida Mãe,

Áh! como fui tolo em não saber sofrer,

em não saber saber a hora certa

de minha sábia corda sonora de dor se desatar..

Mas eu chorei! (pelo menos tentei)

E estava lá eu, em seu colo.

Como fui tolo, meu Deus!

Eu não sei o que dizer:

Desculpe-me, Mamãe!!!

Abençoado seja o ventre que te gerou!

                                                                 (Mar: 11, 2000)

E-mails termos (ou Cavalo de Tróia)

Posted in Crônicas on 10 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Era clandestino dos afazeres…

Meio um

Meio à dois

Meio só!

Passara sua infância em estábulos,

Criara fábulas, sílaba, monólogos.

Aliás, aclamaram-no de ateu…

por simplesmente ter se retirado

da sala de jantar ortodoxa.

Alguns trajados de fraque e piteiras

supunham entre si

um asilo político.

Meio em uns.

Não era legal explodir

bombinhas nas portas das igreja,

mas fazia, fazia parte do hábito.

Mas fazia de algum meio,

Com denúncias vazias,

em mensagens explosivas.

(Dez: 04, 2004)