Amor Platônico

Víbora, vi rósea fosforescer:

Uma chama d’um fósforo olhar. 

Cuspiu na porta entreaberta

Uma sílaba do ver-me (…) 

Voltou-se em tom sublime

Toda a cortesia

– como se bebem do leite puro –

Catou sua musa em vime

Quebrando-lhe as suas raízes… 

Primeiro andar.

Primeiro…

                 … andar! 

Depois como um bêbado no elevador,

Bocejou um beijo distante

Que havia furtado d’uma ex-amante,

Agora pagã vendedora

D’uma feira de artesanato.                                  

                                                 (Nov: 19, 1980)

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