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Emanações – como divagar em mar revolto

Posted in Crônicas, Escritores, Poemas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

A liberdade já se dilacera

prendendo o destro nas tuas virtudes

mal-divino que cobiça as grades

então, as rosas não tem mais as mesmas cores!

Da taça de sicuta ao escravo

ouço dos criados uma mensagem:

-“Onde andas?”

Volto a ver vários rivais perigosos

tentando tomar as abelhas que navegam sobre o mel

Autora de vinhedos e cadeias

aflorando Violetas Parras em simples desejos,

vou cavando na servidão do silêncio

o direito de ser livre…

Simplesmente do direito d’ouvir

esta emanação carnal do atrativo útero materno

minha matéria se aproxima da lógica

maneira de não ser eterno…

Falha-me na fraqueza de ser

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que um dia fora pacífico…
serei eu um mar morto?
Incenso índico?
Bom seria se aquele tom fosse lento,
mais lento
m aaaaaa iiss leeeeeeennto..
de sorte talento,
como num desmamado sonho!
(Jul: 27, 1992)

Imagens de Petra

Posted in Crônicas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Encravaste em mim tua imagem em 8 atos:

 I Ato – 1200 aC
Fostes no inicio, meu amor,
seqüestrada pelo edomitas,
que sem escrúpulos
os céus verteram os últimos crepúsculos
de um choro nômade…
e minhas tribos foram se dissipidando
pelos desértos, areias e britas!
Mas não te esqueci!

II Ato – 64 e 63 aC
Amores romanos, brasões e campanhas,
tiraram de teus pesadelos
os nabateus covardes,
tamanha façanha, meu amor,
que tua identidade agora autônoma,
mas não livre ainda,
defendeu fronteira, e desertos!
Até os nabateus se arrependeram
de ter-te aprisionado, oh musa,
pois nas minhas mãos as lanças
de poder alcançam o peito inimigo!
 Mas não te esqueci!

III Ato – 106 d.C
É agora, meu amor,
uma província dos meus sonhos!
Não sou Trajano nem Adriano,
sou apenas um latino-americano
sem dinheiro no banco,
E acreditas que Nabateia
enciumada e cheia de malícias,
se tornou província?
E tentaram abrir nossos solos
para que ficássemos num desconsolo!
Como te recuperar?
As minhas rotas se perderam…

IV Ato – 363 dC
Bizantinos, conversões ou mesmo impérios
nunca foi tarde te conhecer,
atravessei Constatinoplas, peripécias e tal.
Nem terremotos se atraveriam a nos distanciar,
o ressurgir nos conforta a eliminarmos as roupas velhas,
a construir novos templos, novos tempos, novas construções!
  Mas não te esqueci!

Ato V – 551 dC
Nosso tempo estremeceu
E nossos pés cansados, caíram…
Desmaiaste em meu solo…
Fiquei desesperado, pois como recuperar
Tua beleza?
As férteis palavras que me abrandavam nas noites,
Me tranquei na memória,
E os vendilhões do templo
Dormiam à tua porta…
E aos poucos, bateram em retirada!
Me esqueci por um momento!
  Mas não te esqueci!

Ato VI – séc. 13
Pelos sultões,
pelos Egitos Baybars,
os meus sofreres abalados,
pelos meus choros sísmicos,
por tudo às vezes,
me destes a emoção
dos séculos de devoção:
do século 13!

Ato VII – 1985
Te reconhecem,
Te questionam
Te veneram qual patrimônio,
Revisam teus sonhos
Teu solo se floresce em hormônios,
Prestes a se revelar como mulher!

Ato VIII – Jul: 07, 2007
Tu é livre agora minha amada!
Teus ventos são instantâneos
Pensamentos frágeis,
Escultura feminina
Te exalto, minha amada?
MARAVILHA DO MUNDO CONTEMPORÂNEO!!!

(Dez: 20, 2007)

Perfume de Mulher

Posted in Crônicas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

(À mujer de mis sueños.

Claro que todos queriam-na!
Piano, salsas, tangos, merengues, boleros…
Tangendo pelos olhares
Boca úmida e sedenta
Como um convite particular
Que desorienta, de 8 a 80…
Meus sentidos latinos únicos!

Gargalharia eu, um soluço…
Tonto que bebera de teu visual,
Um soluço que me tornou etílico
Ao ver-te dançar de bolero
Castanholas e avelãs!

Meus delírius extremus entram em delírio
Quando tua sombra esbarra em mim
Num convite audacioso
De brilho e carmim

Tantos olhares te fitam,
Te cercam,
Te cobiçam,
Te devoram,
Ora, as taças derramam,
Ora, as danças enganam!

Molhei-te teu vestido
Com Moet Chandon,
Me atrevendo em teu perfume Bourbon,
Cometer um seqüestro,
Que por não ser destro,
Minha taça contemplou-nos
Num Chandon Passion!

E teu hálito?
Hortelãs, maçãs, framboesas
Que beijar mais etéreo,
Que beijar de proesas!

Quem se atreveria a te beijar?
         Não me escondo como avatar
         Tu me encobres de Attar
Não te cubro de escândalos
Tu me cobres de sândalos
         Se me ofuscam, me busques
         Em teu corpo sereno de
musk
Entre teus gestos
verbenna
Tu me julgas Mecenas
         Aprisiona-me em Citron
         Como náufrago sem Moet Chandon!

Minhas danças são bárbaras, são rudes
Quando te observo dançarina de agarwood

Tu és todas as formas…
Todas as cores…
Todas as danças…
Todos os perfumes…
Todas as imagens…
Todas as minhas mídias…

tu és para mim infusão de rosas e orquídeas!

                                                               (Jun: 17, 1999)

Vagares e Jardins (com o teu amor, venci!)

Posted in Crônicas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

(à Daisy Carvalho – http://dai.lendo.org )

Quem diria:
te encontrei escondida por entre os escribas!
Grandes paços, grandes jardins,
eu, imaginara ser o detentor do Graal,
mas, meus passos não puderam te seguir…

Cavaleiro solitário, é o que dizem nas tavernas…
sempre brindando pelas conquistas,
atravessei Constantinoplas em busca de ti,
mas os otomanos (não querem ser meus manos)
deixaram-me na fronteira
entre as cordilheiras e os jardins!

Que te exaltem os hunos, os visigodos,
os ostrogodos, os espartanos,
os maias, os incas, os astecas…

Que te exaltem as bibliotecas,
pois lá existem mistérios!
detetives iluminados e mal-pagos
te buscam incansavelmente
e não irão te revelar!

São segredos, são sagrados
teus dizeres, teus falares,
e pelas minhas madeixas
pus-me por escabelo.
E de relampejo algumas queixas
Foram semeadas em meus ouvidos:

-“Não estás no meu lado, por quê?”
-“Onde estão teus aríetes, escudo, elmo, e espada que te dei?”

-“Não sabes meu amor:
-“Que os aríetes, eliminam os obstáculos?”
-“Que o escudo, protege eu coração?”
-“Que o elmo, protege teus pensamentos?”
-“Que a espada é arma do cavaleiro por excelência??”
-“E o estandartes?”
-“E os brasões?”

Sou templários talvez aos teus serviços…
Perdi muitas batalhas, descansei em muitos feudos…
Vivi em muitas adegas…
Viveram em mim os medos!
“Quais medos, meu amor?”

São tantos, minha amada, nesta vida
Que me cegam,
Teus beijos e olhares me negam,
Tuas mãos e teus dizeres me pregam,
Tuas palavras me congregam,
Nossos corações se apegam,
Nossos corpos se esfregam,
Em nossos suores navegamos,
Nossos sonhos se entregam
E nus entregamos…
Meus olhos não te enxergam mais!!!

O que fazer então??

“Meu amor, que tanto lutas?”
“Em busca do quê, se tens meu amor!?”
“Descanses em meu leito, que te cuidarei…”

O medo, meu amor, que tenho
Foi criado por mim mesmo, como veneno,
Numa casa de engenho,
Onde se guardam segredos!

Te agradeço pelas pousadas,
Embora com minhas palavras ousadas,
Me destes palavras, e conforto!

Sentia-me um templário morto,
Vazio de longínquas batalhas,
Porém, com tantas mortalhas
Que muitos guerreiros semearam
Não te enxergaram
Como te enxerguei!
Estavam envoltos à talhas,
Corvéias, dentre outras as banalidades…

Mas tive o privilégio de te ver
E tenho em minha insígnia
Tua senhoria!

Musa que me negaram a formariage,
Luto contra meus medos
Fortaleço-me em tua coragem,
Me encontro em teus templos!

Hoje, numa ilha qualquer
De Sardenha, de Hébridas ou de Tavira
De Elba, de Creta, ou Malvinas
De Marajó, das Flores, do Mel
Ou do Farol, ou mesmo de Superagüi…
Não quero mais seguir só,
Pois onde eu estiver nesta vida,
É só me chamar querida!
E eu te chamo e te proclamo:
                                                                   M A R G A R I D A !

                                                                     (Dez:20, 2007)

Saudades Partidas VIII

Posted in Crônicas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

(Cárceres)

Me destes um silêncio contínuo:

melindrosa amate do querer!

Me destes o sabor do vinho,

como que cativo pude crer!

Me destes um gosto de saudade.

Óh furor de ventos de outono!

Óh musa encantadora de vaidades!

Cortejas ao meu lado o abandono…

Queria remover dos oceânos

entrelas e tesouros que perdemos.

Navegas, tu bem sabes nos meus planos!

Viajantes fomos! Nos silêncios nos prendemos!

Óh! musa encarcerada dos enganos,

serás a imortal amante em mim!

Eu, apenas crisântemos!

e tu, apenas jasmins!

(Mai: 01, 1986)