(à Daisy Carvalho – http://dai.lendo.org )
Quem diria:
te encontrei escondida por entre os escribas!
Grandes paços, grandes jardins,
eu, imaginara ser o detentor do Graal,
mas, meus passos não puderam te seguir…
Cavaleiro solitário, é o que dizem nas tavernas…
sempre brindando pelas conquistas,
atravessei Constantinoplas em busca de ti,
mas os otomanos (não querem ser meus manos)
deixaram-me na fronteira
entre as cordilheiras e os jardins!
Que te exaltem os hunos, os visigodos,
os ostrogodos, os espartanos,
os maias, os incas, os astecas…
Que te exaltem as bibliotecas,
pois lá existem mistérios!
detetives iluminados e mal-pagos
te buscam incansavelmente
e não irão te revelar!
São segredos, são sagrados
teus dizeres, teus falares,
e pelas minhas madeixas
pus-me por escabelo.
E de relampejo algumas queixas
Foram semeadas em meus ouvidos:
-“Não estás no meu lado, por quê?”
-“Onde estão teus aríetes, escudo, elmo, e espada que te dei?”
-“Não sabes meu amor:
-“Que os aríetes, eliminam os obstáculos?”
-“Que o escudo, protege eu coração?”
-“Que o elmo, protege teus pensamentos?”
-“Que a espada é arma do cavaleiro por excelência??”
-“E o estandartes?”
-“E os brasões?”
Sou templários talvez aos teus serviços…
Perdi muitas batalhas, descansei em muitos feudos…
Vivi em muitas adegas…
Viveram em mim os medos!
“Quais medos, meu amor?”
São tantos, minha amada, nesta vida
Que me cegam,
Teus beijos e olhares me negam,
Tuas mãos e teus dizeres me pregam,
Tuas palavras me congregam,
Nossos corações se apegam,
Nossos corpos se esfregam,
Em nossos suores navegamos,
Nossos sonhos se entregam
E nus entregamos…
Meus olhos não te enxergam mais!!!
O que fazer então??
“Meu amor, que tanto lutas?”
“Em busca do quê, se tens meu amor!?”
“Descanses em meu leito, que te cuidarei…”
O medo, meu amor, que tenho
Foi criado por mim mesmo, como veneno,
Numa casa de engenho,
Onde se guardam segredos!
Te agradeço pelas pousadas,
Embora com minhas palavras ousadas,
Me destes palavras, e conforto!
Sentia-me um templário morto,
Vazio de longínquas batalhas,
Porém, com tantas mortalhas
Que muitos guerreiros semearam
Não te enxergaram
Como te enxerguei!
Estavam envoltos à talhas,
Corvéias, dentre outras as banalidades…
Mas tive o privilégio de te ver
E tenho em minha insígnia
Tua senhoria!
Musa que me negaram a formariage,
Luto contra meus medos
Fortaleço-me em tua coragem,
Me encontro em teus templos!
Hoje, numa ilha qualquer
De Sardenha, de Hébridas ou de Tavira
De Elba, de Creta, ou Malvinas
De Marajó, das Flores, do Mel
Ou do Farol, ou mesmo de Superagüi…
Não quero mais seguir só,
Pois onde eu estiver nesta vida,
É só me chamar querida!
E eu te chamo e te proclamo:
M A R G A R I D A !
(Dez:20, 2007)