Imagens de Petra

Encravaste em mim tua imagem em 8 atos:

 I Ato – 1200 aC
Fostes no inicio, meu amor,
seqüestrada pelo edomitas,
que sem escrúpulos
os céus verteram os últimos crepúsculos
de um choro nômade…
e minhas tribos foram se dissipidando
pelos desértos, areias e britas!
Mas não te esqueci!

II Ato – 64 e 63 aC
Amores romanos, brasões e campanhas,
tiraram de teus pesadelos
os nabateus covardes,
tamanha façanha, meu amor,
que tua identidade agora autônoma,
mas não livre ainda,
defendeu fronteira, e desertos!
Até os nabateus se arrependeram
de ter-te aprisionado, oh musa,
pois nas minhas mãos as lanças
de poder alcançam o peito inimigo!
 Mas não te esqueci!

III Ato – 106 d.C
É agora, meu amor,
uma província dos meus sonhos!
Não sou Trajano nem Adriano,
sou apenas um latino-americano
sem dinheiro no banco,
E acreditas que Nabateia
enciumada e cheia de malícias,
se tornou província?
E tentaram abrir nossos solos
para que ficássemos num desconsolo!
Como te recuperar?
As minhas rotas se perderam…

IV Ato – 363 dC
Bizantinos, conversões ou mesmo impérios
nunca foi tarde te conhecer,
atravessei Constatinoplas, peripécias e tal.
Nem terremotos se atraveriam a nos distanciar,
o ressurgir nos conforta a eliminarmos as roupas velhas,
a construir novos templos, novos tempos, novas construções!
  Mas não te esqueci!

Ato V – 551 dC
Nosso tempo estremeceu
E nossos pés cansados, caíram…
Desmaiaste em meu solo…
Fiquei desesperado, pois como recuperar
Tua beleza?
As férteis palavras que me abrandavam nas noites,
Me tranquei na memória,
E os vendilhões do templo
Dormiam à tua porta…
E aos poucos, bateram em retirada!
Me esqueci por um momento!
  Mas não te esqueci!

Ato VI – séc. 13
Pelos sultões,
pelos Egitos Baybars,
os meus sofreres abalados,
pelos meus choros sísmicos,
por tudo às vezes,
me destes a emoção
dos séculos de devoção:
do século 13!

Ato VII – 1985
Te reconhecem,
Te questionam
Te veneram qual patrimônio,
Revisam teus sonhos
Teu solo se floresce em hormônios,
Prestes a se revelar como mulher!

Ato VIII – Jul: 07, 2007
Tu é livre agora minha amada!
Teus ventos são instantâneos
Pensamentos frágeis,
Escultura feminina
Te exalto, minha amada?
MARAVILHA DO MUNDO CONTEMPORÂNEO!!!

(Dez: 20, 2007)

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