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Silhuetas

Posted in Crônicas, Poesia on 15 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

by Fátima Tardelli – Palavras Sussurradas

As chuvas vieram e se foram,
Como é de sua natureza,
Tudo que elas presenciam guardam em segredo,
Como o segredo de minhas lágrimas que se juntaram a elas,

Os olhares? Serão eles de Capitu?
Que alagam a alma de ciúme?Os olhares? Serão eles de Capitu?
Que alagam a alma de ciúme?

As gentes? Rostos belos, contorcidos ou mascarados,
Máscaras sociais que todos usamos…

Estamos distantes!?
O que é a distância senão um abismo?
Na relação espaço-tempo, não é tudo relativo?

O silêncio!?
Não é no silêncio que ocorrem os mais doces pecados?
Não é no silêncio que correm os mais angustiados prantos?

Os porquês!?
Não é a dúvida que alimenta a curiosidade,
Não seria a curiosidade a mola do mundo?

Eu menos nós = você?!
Não seria a soma e não a subtração,
A equação correta, nas relações de amor/amizade?

Fuga? Encontro?
Não fugimos do que mais queremos,
Rejeitamos o que mais nos atrai ?
Urbanos!?
Creio que seríamos antes, rurais…

Certo, errado…simplórias questões culturais…

Andarilho somos no Mundo,
Caminhos existem aos montes,
Reflexões fazemos todos os dias…..

O que assumes, o que assumo?
Acaso isso tem alguma importância?

Ruas de fogo, ruas alagadas,
Alagadas de flores e de pranto,
E toda a gente olhando….são como cegos na penumbra…

O Choro, o pranto,
Meras expressões de dor,
Mas conheceríamos o prazer, se ignorássemos o pesar?

Agora é tarde demais?!
Nunca é tarde, nunca é cedo….
O tempo não passa para algumas coisas…
 

(Resposta ao “Urbanuz Quadruz”: Dez: 14,2007)

Oceânos Partidos (no outro lado da margem)

Posted in Crônicas, Poesia on 15 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

inspirado na canção “Como el agua” 

( Camaron De la Isla, Tomatito,  & PACO DE LUCIA)

 

Semblante européia!

Estréias constantes,

navegante sou,

que pousou nas águas,

magoadas veias

de teias marinhas!

***

se vinhas não sei

como rei atlântico

num pânico beijo

revejo as angústias

últimas de ti!

***

sou free e chorei…

te operei óperas

góticas silábicas

trágico adeus,

ateus no amor

rancor e lamento

pensamentos jazz…

***

Trazes a tu’alma

acalmas marés

igarapés, plâctuns…

teus impactos beijos

me solfejam náufrago

de âmagos tristes

que’xistem nos mares!!!

***

Males, solidão

se vão castanholas…

amoras batons

***

Ladrões eu fui um

que em jejum tive

 – que se privem corpos!

óbvios suores,

licôres e areias

eu nas veias tuas,

de cruas paixões

fomos divididos:

antes e depois!

***

Ora pois, d’enganos,

oceânos fôstes

sem posteres teus…

no adeus fiquei só,

pedra-mó de mim

que vim das derivas

criarte diva!!!

***

Talvez sou intruso

que d’abusos

só por uma noite,

fôstes meu mar!

fôstes meu mal!

e eu, tua água,

e eu, tua mágoa!

                      (Nov: 11, 1987)

… do Zul é o teu Paíz (ou Klã Destino)

Posted in Crônicas, Poesia on 15 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Ato I 

Eram mãos de crepom:
espúrias do comum,
ilibadas num tom,
sovinice em jejum!

Ato II

Eram trêfegas noites!
Plásticas mãos, labutam,
minguadas n’horizontes
lapidam pedras brutas…

Ato III

Das noites as lucernas:
armavam esparrelas!
Se jogavam em cavernas,
sem o choro das velas…      (i i i i i i i i i i i i i i i i i i…)

Ato IV

Eram mãos descoladas
que semeavam paz,
‘inda nas minas lástimas
grilhetas não tem mais!!!!       (uuuufff)

Ato V

Eram mãos de crepom,
morgadas de uma vida
que se perder’então
em outras mãos feridas.

Ato VI

Transmutavam carbonos,
são misteriosos!!!
seus gestos eram donos,
seus viveres lógicos! 



Ato …

…Mambazoz!
…Makenaz!
…Abrazoz!
…Zerenaz!

Ato …

Ato …

… Zimonz!
… Madonnaz
… Bonoz!
… Zantanaz!

Ato MCMXC ( 11.02)

Eram mãos de mandalas!
eram mãos de Mandelas!
eram revoltas caras!
eram soltas as celas!         [###..]     [  ]

Ato …

Ato MCMXCIII  (Nobelis Pax)

Eram mãos quase livres
tocavam dias antes
o que não se redime:
sangue por diamantes…
                                             (Out: 20, 2006)

Afrikan Beat (not e-commerce yet)

Posted in Crônicas, Poesia on 14 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

à todas as cores.

 …

e-truques, e-tratos, e-trecos,

e-trapos, e-tripas, e-trocos,

e-trancas, e-ntrusos, e-tropos,

e-trucos, e-trincas, e-troncos,

e-trintas, e- etetras, e-petros,

          e-trompas, e-pretos, e-trotes,

 e-trutas, e-tantas, e-mantrans,

e-bantos, e-tintas, e-mitras,

e-vitas, e-brotos, e-mirras,

e-britas, e-outros, e-brutas,

e-spantos, e-scritas, e-sterpes,

e-stradas, e-scribas, e-stilos!

 e-trilhos, e-tramas, e-tremas,

e-tronos, e-primos, e-atritos,

 e-monstros, e-lobos, e-xércitos,

e-gritos, e-sgrimas, e-sfinges!

e-ntôjos, e-tôlos, e-bombas,

e-stouros, e-lites,e-xílios,

e-bulas, e-brigas, he-róis,

e-abortos, e-ritos, e-prantos,

e-tranças, e-transes,  e-passes,

e-mães imaculadas, e-iôdos,

e-tudo, e-tato, e-tetos,

e-fatos, e-fotos, e-fetos,

e-feitos, e-tretas, e-stados

e-eu

e-leito

neste

e-stado!

(Jun: 15, 2/1997)

Quintais de Junho

Posted in Crônicas, Poesia on 14 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

A tremedeira começa a tomar conta, que a garganta parece enosar, num sentido de forca.

Por isso, suspenso num cordão umbilical, nasci esticado pela realidade do sistema!

 Queira pois, num silêncio afogar-se na porta estreita de tua porta secreta e trave-se a porta de tua porta secreta, fechando-se em si, como quem pasmo de ver pela fresta, o vulto cesariano das luzes.

Voluntariamente, revoltado e envolto complacente, escondo a chave, que é a chave do que sequer abrir.  Perco a tremedeira, a porta se abre.

Digo destemidamente, em tom de choro, que quero unificar-me com a única medida, no habitat lógico e ideológico que criei, vislumbrando como poeta a sublime forma do mistério, e da razão de ser.

És meu quintal!

És meu refúgio!

Plantei sonhos, ouvi adágios, sinfonias em outros momentos…

És meu Éden!

Como voltar?

Do êxodo criou-se, no êxito busquei ser abrolhos,

Tornei-me sahara num oceâno de esperas.

Hoje entendo que querer, é quintalizar seu terreno baldio.