Arquivo para dezembro, 2007

Hurbanuz Quadruz (ou Além do Sinal Verde)

Posted in Crônicas, Poesia on 14 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

 inspirado em “Ilha de Fatma”   

 

Onde estão as chuvas que nos presenciaram antes dos

primeiros olhares? As ruas ficaram alagadas de gente

que nos observavam com críticos soslaios urbanos,

medidores dos passos, marcapassos contemporâneos 

vagos, míopes, medíocres, transeuntes leigos e vazios.

 Estamos                                                                         distantes!

Você assume                                                                 o silêncio!

Eu assumo                                                                os porquês!!!

Eu menos                               nós                                     =  você…

Se fugirmos,                   precisamos               nos encontrar,

Se é isso                             realmente                que queremos: Primeiro                                sentir           que somos urbanos   É                                                     o                                            certo 

Por ser                               verdadeiro                        andarilho  

Vejo no                                    amor                          o caminho…

Te deixo uma                           ?                           uma reflexão! 

Estamos                                                                          distantes?

Você assume                                                                 o silêncio?

Eu assumo                                                                   os porquês? 

Acredito que as chuvas que não presenciaram nossos únicos

primeiros olhares… E há um sinal fechado para quem quer

ficar parado, observando, perdido… As ruas ficaram alagadas

de gente quando nos viram pela primeira vez chorando !!!!!!

!!!!chorando !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! chorando !!!!!!

!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!………………………………..

Agora é tarde demais, pois tenho que atravessar a rua alagada

 de gente como nós ………………….. atados em nós… mesmos!

                                                                                        (Dez: 14, 2007) 

Ilha (à) do(i)s (ou Ilha de Fatma)

Posted in Poesia on 14 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto
by Fatima Tardelli (Palavras Sussurradas)
 “…’Estou’ uma ilha,
cercada de angústias e medo,
perdida em sonhos,
perdida em lágrimas.

‘Sou’ uma ilha,
para proteger-me, cerco-me,
muro-me, enclausuro-me,
torno-me inacessível.

‘Serei’ uma ilha,
guardarei meus segredos e suspiros,
escondidas sob a relva
manterei minhas belezas.

‘Terei’ uma ilha,
Jardim do Éden do qual não serei expulsa,
onde nenhum fruto me será negado/proibido,
onde nenhum peso secular terei de levar em minhas costas,

E a ilha?
Continua perdida, esquecida….”

                                                               (Dez: 13,2007)

Ode d’uma Réplica Vazia

Posted in Crônicas, Poesia on 13 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Arcanjo que de seus vagares em lezírias

Me disfazia farfalhando sons meríficos;

Molhei teus lábios que dimanam em mim labrego,

Látego noturno imaculado em delírios! 

Revolta minh’amada quando de motejos

Trincam-se os cimélios insulados dosséis,

Infaustos tempos navegamos longos beijos,

‘inda na enxerga nus deitamos abraçados! 

Decúbito parecem ser as nossas prosas

Lúridas num contexto sísmico sem rimas,

Igaratins suspiram nós nas palimódias,

‘gnorando méritos no suor das sílabas! 

Tácito momento sonhos vagos novéis,

Que se articulam hacanéias de azêmolas;

Na sinergia imanente dos pagãos,

Que ficam em minhas mãos as tuas mãos tão trêmulas!                                                                                                                          

                                                                  (Jul: 07, 2000)

Revanches

Posted in Crônicas, Poesia on 13 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

                                       (às Marias da Penha) 

Esposas, ah! Esposas!

Dilaceram seus tronos

Estranhos e servis… 

Não querem ser esposas,

Querem ter apenas sonhos… 

Seus rostos: cicatriz! 

Seus maridos cansados

Dilaceram seus sonhos

Enganos por um triz! 

Maridos, ah! Maridos!

Esmagam o respeito

Eleitos como donos,

A lei é o que se diz! 

Precisam de afeto,

Flores, perfumes, beijos… 

Medíocres e frustrados

Dores, ciúmes, gestos,

Castigam tantos fetos,

Numa loucura triste! 

Elas demonstram um NÃO!

O sim é o que persiste… 

Um dia as esposas

Descobrem suas forças

Que sempre foram donas… 

Melhor é sempre tê-las

Com todos os seus sonhos! 

Horizontal ficamos

Num futuro próximo. 

Então só as estrelas

Dirão a elas noites

Que não terão (mais) açoites… 

Aqueles braços fortes…

Não ficam mais cansados,

Pois sonham com a morte,

Guerreira dos covardes… 

Esposas, ah! Esposas!

Agora vivem livres

Os sonhos são mais belos

Não temem o que vivem

Os sonhos são sinceros. 

Nos caminhos estreitos

São perfeitos seus sonhos:

É o que buscam na vida! 

Então por tudo isso

É preciso ter sonhos

Com maridos e filhos

Que vêem na igualdade

A liberdade à dois:

sem lutas pelos tronos …

‘las só querem respeito

Ao lado dos maridos,

Companheiros sem iras,

Querem os seus direitos

Companheiros das lidas!

É preciso ter sonhos

É o que mais se quer:

ser mulher destemida,

Com maridos e filhos:

Ser apenas Família!  

Ser apenas MULHER!

                                           (Set: 02,2006)                                         

Amor Platônico

Posted in Crônicas, Poesia on 13 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Víbora, vi rósea fosforescer:

Uma chama d’um fósforo olhar. 

Cuspiu na porta entreaberta

Uma sílaba do ver-me (…) 

Voltou-se em tom sublime

Toda a cortesia

– como se bebem do leite puro –

Catou sua musa em vime

Quebrando-lhe as suas raízes… 

Primeiro andar.

Primeiro…

                 … andar! 

Depois como um bêbado no elevador,

Bocejou um beijo distante

Que havia furtado d’uma ex-amante,

Agora pagã vendedora

D’uma feira de artesanato.                                  

                                                 (Nov: 19, 1980)