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Perfume de Mulher

Posted in Crônicas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

(À mujer de mis sueños.

Claro que todos queriam-na!
Piano, salsas, tangos, merengues, boleros…
Tangendo pelos olhares
Boca úmida e sedenta
Como um convite particular
Que desorienta, de 8 a 80…
Meus sentidos latinos únicos!

Gargalharia eu, um soluço…
Tonto que bebera de teu visual,
Um soluço que me tornou etílico
Ao ver-te dançar de bolero
Castanholas e avelãs!

Meus delírius extremus entram em delírio
Quando tua sombra esbarra em mim
Num convite audacioso
De brilho e carmim

Tantos olhares te fitam,
Te cercam,
Te cobiçam,
Te devoram,
Ora, as taças derramam,
Ora, as danças enganam!

Molhei-te teu vestido
Com Moet Chandon,
Me atrevendo em teu perfume Bourbon,
Cometer um seqüestro,
Que por não ser destro,
Minha taça contemplou-nos
Num Chandon Passion!

E teu hálito?
Hortelãs, maçãs, framboesas
Que beijar mais etéreo,
Que beijar de proesas!

Quem se atreveria a te beijar?
         Não me escondo como avatar
         Tu me encobres de Attar
Não te cubro de escândalos
Tu me cobres de sândalos
         Se me ofuscam, me busques
         Em teu corpo sereno de
musk
Entre teus gestos
verbenna
Tu me julgas Mecenas
         Aprisiona-me em Citron
         Como náufrago sem Moet Chandon!

Minhas danças são bárbaras, são rudes
Quando te observo dançarina de agarwood

Tu és todas as formas…
Todas as cores…
Todas as danças…
Todos os perfumes…
Todas as imagens…
Todas as minhas mídias…

tu és para mim infusão de rosas e orquídeas!

                                                               (Jun: 17, 1999)

Vagares e Jardins (com o teu amor, venci!)

Posted in Crônicas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

(à Daisy Carvalho – http://dai.lendo.org )

Quem diria:
te encontrei escondida por entre os escribas!
Grandes paços, grandes jardins,
eu, imaginara ser o detentor do Graal,
mas, meus passos não puderam te seguir…

Cavaleiro solitário, é o que dizem nas tavernas…
sempre brindando pelas conquistas,
atravessei Constantinoplas em busca de ti,
mas os otomanos (não querem ser meus manos)
deixaram-me na fronteira
entre as cordilheiras e os jardins!

Que te exaltem os hunos, os visigodos,
os ostrogodos, os espartanos,
os maias, os incas, os astecas…

Que te exaltem as bibliotecas,
pois lá existem mistérios!
detetives iluminados e mal-pagos
te buscam incansavelmente
e não irão te revelar!

São segredos, são sagrados
teus dizeres, teus falares,
e pelas minhas madeixas
pus-me por escabelo.
E de relampejo algumas queixas
Foram semeadas em meus ouvidos:

-“Não estás no meu lado, por quê?”
-“Onde estão teus aríetes, escudo, elmo, e espada que te dei?”

-“Não sabes meu amor:
-“Que os aríetes, eliminam os obstáculos?”
-“Que o escudo, protege eu coração?”
-“Que o elmo, protege teus pensamentos?”
-“Que a espada é arma do cavaleiro por excelência??”
-“E o estandartes?”
-“E os brasões?”

Sou templários talvez aos teus serviços…
Perdi muitas batalhas, descansei em muitos feudos…
Vivi em muitas adegas…
Viveram em mim os medos!
“Quais medos, meu amor?”

São tantos, minha amada, nesta vida
Que me cegam,
Teus beijos e olhares me negam,
Tuas mãos e teus dizeres me pregam,
Tuas palavras me congregam,
Nossos corações se apegam,
Nossos corpos se esfregam,
Em nossos suores navegamos,
Nossos sonhos se entregam
E nus entregamos…
Meus olhos não te enxergam mais!!!

O que fazer então??

“Meu amor, que tanto lutas?”
“Em busca do quê, se tens meu amor!?”
“Descanses em meu leito, que te cuidarei…”

O medo, meu amor, que tenho
Foi criado por mim mesmo, como veneno,
Numa casa de engenho,
Onde se guardam segredos!

Te agradeço pelas pousadas,
Embora com minhas palavras ousadas,
Me destes palavras, e conforto!

Sentia-me um templário morto,
Vazio de longínquas batalhas,
Porém, com tantas mortalhas
Que muitos guerreiros semearam
Não te enxergaram
Como te enxerguei!
Estavam envoltos à talhas,
Corvéias, dentre outras as banalidades…

Mas tive o privilégio de te ver
E tenho em minha insígnia
Tua senhoria!

Musa que me negaram a formariage,
Luto contra meus medos
Fortaleço-me em tua coragem,
Me encontro em teus templos!

Hoje, numa ilha qualquer
De Sardenha, de Hébridas ou de Tavira
De Elba, de Creta, ou Malvinas
De Marajó, das Flores, do Mel
Ou do Farol, ou mesmo de Superagüi…
Não quero mais seguir só,
Pois onde eu estiver nesta vida,
É só me chamar querida!
E eu te chamo e te proclamo:
                                                                   M A R G A R I D A !

                                                                     (Dez:20, 2007)

Saudades Partidas VIII

Posted in Crônicas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

(Cárceres)

Me destes um silêncio contínuo:

melindrosa amate do querer!

Me destes o sabor do vinho,

como que cativo pude crer!

Me destes um gosto de saudade.

Óh furor de ventos de outono!

Óh musa encantadora de vaidades!

Cortejas ao meu lado o abandono…

Queria remover dos oceânos

entrelas e tesouros que perdemos.

Navegas, tu bem sabes nos meus planos!

Viajantes fomos! Nos silêncios nos prendemos!

Óh! musa encarcerada dos enganos,

serás a imortal amante em mim!

Eu, apenas crisântemos!

e tu, apenas jasmins!

(Mai: 01, 1986)

Saudades Partidas VII

Posted in Crônicas, Poesia on 20 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

 (Entre Vinhas)

Pedi um copo de vinho

Tantas videiras, tantas videiras!

Agora perdido no caminho

encontrei-te, (imagino), por inteira!

Mas não me destes vinho!

Somente na varanda uma cadeira,

lamentando meus carinhos

presos em tua armadeira!

Copo de vinho, por favor!

Ainda és minha primeira.

Preciso de ti meu amor!!!

Quando furtei-te sozinha

pude entender ter furor

num estonteante beijo entre as vinhas!

Eu, preso entre esboços!

e tu, minha obra-prima!

(Set: 09, 1984)

Pelas Minhas Mãos, Um Gesto

Posted in Crônicas on 19 de dezembro de 2007 by Prof Gasparetto

Não restam tempos, nem sóis, nem toldos,

nem nada.

Selam-se os ósculos,

obstáculos e o Rio some;

no alto, vê-se porém que o arrabalde de palafitas

fitam o cloro na tez da estátua, inert e observadora,

que vai tatuando o tempo e o medo…

 Rio! Mas com certo distanciamento dos ritos nômades

dos trejeitos incalculados de passistas

incorformados, transifigurados,

alagados, largados pelas encostas de um grande

boeiro circense e maravilhoso… (…)

 Me preocupa no entanto (…) o dízimo

selado pelos iconoclástas que o homem partido em dois,

num partido cifrário, quem sabe?

que altera rotas, frotas, j (de juros), agiotas, patriotas,

tropas mortas para um bem conspícuo e

de verdadeira ojeriza

às vertebras da lei…

Repentinamente não Rio feito algoz,

o momento sucumbe um aborto prematuro,

dum riso pálido, falido, inválido, caído,

inóspito…

como a roer no óbito seu dinema!

 Mas, não Rio!

 Do alto, a multidão inflaciona-se na natureza

mórbida que prolifera seu testamento

nas encontas imunológicas do voto.

 Rio, agora Morro!

 O jazigo dilacera o momento

no retrato falado dum Rio sem sentido,

visceras que refutam

a anatomia invertebrada do casuísmo!

 Não restam tempos,

porém ouve-se um suspiro,

um fôlego perdido em meio aos escombros, como quem diz:

                                                     “-Rio?  ou Morro?”

                                              (Set: 14, 1987)