“Cicek Pasaji” (Passagem da Flor)
Onde estás?
quem te clama nas noites e nas manhãs…
Onde estás?
Partistes meu coração
que viciado ouvia o teu.
Te fiz canções
e preencheste-me de Orientes!
Te fiz presente
e tornaste-me Mediterrâneo!
Onde estão os Fenícios, Assírios?
Se sou rebelde, que me estedam razões:
sôfrego, insano em delírios…
Teu nome é Noite
Teu corpo meu Porto
Teus olhos, Faróis
Teus beijos, Açoites
Onde estás?
quem te clama nas noites e nas manhãs…
Onde estás?
Sou agora deserto…
um peregrino sem tendas ou noturnos!
Me ancorei em braços alheios
esperando encontrar novo rumo…
mas, minhas lembranças foram reveladas pela Kodak,
algumas furtadas em Polaróide, desbotaram-se com o tempo!
Meu oceâno agora é de Arak e Fayruz…
que me conduz em Mozart ou Vivaldi,
no desespero único de uma resposta:
Onde estás?
(Out: 16, 1982)