Almacídio: Sonho dos Inocentes
(à Carlos Marighela)
Sonhava num quarto, com binóculos na janela
E por meses realizava seus jejuns…
Empardecia seu judiado rosto.
Era a primeira vez!
Um dos últimos a saber
Era uma rebelião caótica
Que peregrinavam nas imediações!
Cogitavam ameaças substantivas
Num tanto temos que fervilhavam
Túnicas, togas
Num mel partidário de discórdias e ideologias…
Docemente gritou:
-“Quem?”
era a primeira vez.
Única vez que se retalhava nu
Diante da vergonha!
Alcovas intelectuais,
Iscariotes ambulantes disfarçavam-se de discípulos.
Tocaias?
Emboscadas?
Gólgotas urbanas dos desvalidos
Marcados por bandidos mercantis…
Choros Brutus infantis!
Era a última vez!
Uma última ceia!
Última cela!
Seu nome?
-“Não importa agora!”
quem assina?
-“…”
-“A propósito:
marquemos nosso encontro
na próxima esquina!”
(Jun: 07, 1982)
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