Colagens (Overdose Land)
(à R. S. – ex-menino de rua – in memorian)
Duas vezes o guri cheirou cola
Atras da funilaria…
A senhora, mãe dele, ora!
Menino sem estudo que tinha,
Lamenta o leite que bebeu…
Borbulha os dentes na sola
Do bastardo patrão que ria!
-“Não pedi pra vir ao mundo!”, dizia.
Lá pelas tantas,
A mãe, coitada, chorou,
Regouo todas as plantas do pés,
Do coitado guri.
Piá, sem saber que eram santas,
Todas as lágrimas, gemidos,
Ficou na orgia, cheirou,
Negou todas as entranhas…
E naquele mundo de colagens,
Resolver botar os pingos nos is,
Tinha em sua camiseta a foto do OZZY,
Lamentou pra mãe suas viagens,
Cantou uma canção da ELIS,
E embarcou pra Overdose Land.
(Jun: 24, 1983)
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