Andanças ao Vento IV
(O Pântano)
Ventos!
São sinais que estamos longe
Andemos mais um pouco
A noite logo vem!
Frio!
Os cobertores dos soldados
São agora farrapos
Como também estão suas almas…
A noite logo vem!
Pão!
As pedras são postas em círculo
Um utensílio de barro otomano
Mistura-se no ázimo…
O clarão ritualiza a forma!
A noite logo vem!
Vinho!
O peitoril encharcado
Cavalos baios, e centuriões
Protestam alguns textos em aramaico…
Um olhar ao longe despertam o gosto
Das videiras…
A noite logo vem!
A Ceia!
Sentado num caminho íngreme
Cogitam levantes aos generais,
Algumas vidas são extirpadas do meio,
Outras, o medo ataca…
A noite logo vem!
Fico a pensar na mulher
Que muitas mensagens os escribas teceram,
Estafetas bem equipados
Galopeavam espalhando poeira e vazio…
Ela, a amada, recebeu alguns,
Outros se perderam no caminho…
A noite logo vem!
Estou só, e a noite ainda não veio!
(Mar: 02, 2004)
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