Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) IV
IV – UNÂNIMES
I
Mandei-te flores numa manhã de inverno!
Temia que elas fossem murchar,
E ao recebê-las, tivesse a sensação de uma tristeza!
As flores têm vida, e vida cheia de cores…
Exalam perfumes, que às vezes desconhecidos,
Nos tragam num romanesco estado de delírio!
Cativas meus frutos, meus temas,
Como cravo e canela, temperamos os nossos dias!
II
-“Que tens meu amado, que por segundos
não te tenho ao meu lado?”
Teus segundos me questionam,
e eu não sabia responder!
É claro que sabia, nem tudo é eterno,
Não podia simplesmente, sair em retirada,
Tinha meus afazeres, tu sabias
E éramos quereres…
Quereres em tudo!
III
O vaso de cristal indiano que te dei,
Com delicado nome teu, trincou-se…
Assim como trincou o tempo,
A chuva, o vento paisano;
Que batia à nossa porta
Soprava em falsetes:
-“Sois o conjunto perfeito, uma parceria:
à noite um luar resplandecente ilumina os passos;
de dia, um sol, que se faz escaldante, atravessa desertos,
e pousa atrás dos vales!
Sois riquezas extremas: o ouro e a prata!
Do que vale um piano sem o marfim e o ébano?
Não contestais oh! nobre casal vosso futuro…
Sejais unânimes nos vossos quereres,
E se crerdes, tereis mirras
e Boucheron, Byzance, Cabochard,
e vossos vasos puros de alabastro!”
(Mai: 19, 2001)
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