Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) V

V – NOSSOS TEMPOS

I
Vejo rascunhos, e telefones anotados,
Mas não vejo nome, teus detalhes!
Busquei uma caneta esferográfica,
E desesperadamente, tentava alcançar
Tua imagem holográfica
Em minha memória…
Mas, apenas um suspiro
Imediato de nós dois!
A cortina levitava-se como mensageira:
-“Aguarda! Não te desesperes!’
e naquele momento sublime
um telegrama gritava à minha porta!
Desci sem ter noção do que estava acontecendo,
Temendo que fosse uma mensagem qualquer,
Um erro pra qualquer um…
Ufff! Valeu a pena!
Eras tu minha amada e eterna mulher,
Que me alimentavas com água e mel,
O meu eterno jejum!

II
Valseamos pelas varandas, pelos quintais
Nossos muros, nossas muralhas…
Nossos sorrisos, nossos segredos…
Vestias tons de rosa e cereja,
Abrilhantava tanto que até o sol
Se pôs atrás das nuvens de algodão
Embevecida em lágrimas…
Valseamos tardes e noites,
E pelas manhãs descansávamos,
O vento roçava arrepios em nossos madrigais,
E a chuva?
Só ela sabe de nossas malícias (legais)!

III
As horas voavam em meu Cartier,
Quartos de horas semeados em séculos!
Valeu-me ser um desafortunado?
Aquele que querendo escrever-te
Não precisou o teu tempo!
As tuas jornadas passaram pelos meus pensamentos,
E aquela ampulheta que me destes partiu-se em dois,
Um, desejoso de retornar às brincadeiras;
Outro, perpetuando um tempo dado entre nós!

(Mai: 20, 2001)

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