Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) VI

VI – SUPLÍCIOS

I

Era chuva de maio, e os ipês amarelos
Desmanchavam-se em flocos
Pela nossa rua arbórea!
Não fazia idéia de que ventos de maio
Trouxessem-me tantas recordações,
Que me igualei às pétalas de maio…
Foi apenas por um instante que me transportei
Aos ipês que tu admiravas com emoção ímpar
E de real fulgor!

Desmanchavam-se em flocos…
Meus ideais caiam com chuva também,
A namoradeira no canto direito da sala,
Está vazia!
Está perplexa com o abandono!
A sala contristada, ou algumas peças de Mozart,
Mas, desmancham-se de indignações,
Minha saudade,
Meus desejos…

II

Considero teus atos divinos,
Me traz entendimentos sobre-humanos..
Toda tua natureza deveria ser experimentada
Minha amada!
Governas em meu coração como espírito guerreiro,
Me preparando a viver em estado de guerra…
Resisto,
Resisto,
E não me sais da memória
Sou crítico, e coloco-me no mundo
Como reflexo de tua coragem!
Não sou escravo, nem vencido…
Recompensastes-me com o desejo de vencer,
E neste vale de lágrimas,
Tua virtuose se sobrepões as todas as naturezas…
Transmutes meu coração com o teu brilho,
Para que eu possa lutar
Com revigoração tua cultura de mulher!

III

Minha tarefa é solitária.
Tua tarefa é solitária!
Somos eruditos em nossas responsabilidades.
Lutamos contra os defeitos,
Queremos a perfeição…
Questionamos a natureza e somos questionados!
Nosso amor está escasso num universo
Esgotista e frívolo!
Tu me enxergastes quando eu estava cego
À realidade do mundo;
Eliminastes minhas dúvidas
Quando pensei ser um herói solitário!
Afastaste de mim os tempos perdidos,
Que esquartejavam meus sonhos!
As montanhas movem-se aos teus pés,
Como submissas
Como Gólgotas,
Como pedras filosofais,
Como conquistar milhões de livros,
Em bibliotecas nas Alexandrias perdidas…
Assim, suplico que venhas
E nos debrucemos ante as Escrituras Sagradas,
Para entendermos o Princípio
E o Fim…

Teremos mais chuvas,
A cada ano Maio,
Mas os ipês,
Não temos certeza!

(Mai: 24, 2001)

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