Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) VII

VII – RETRATOS

I
Envelheci pelas saudades!
Pelos carinhos que me destes, remocei!
Minhas mão, agora trêmulas
Não sentem tuas mãos,
Não acaricia mais o teu corpo
De eterna musa!
Preciso de ti meu amor!
Onde andas o nosso pôr-do-sol
Que te furtava sorrisos,
Que te brilhavas inteira
Quando estavas comigo??
O chocolate quente
Com pimenta e canela
Esfriou assim tão de repente,
Sem o teu calor de quimeras!
A cadeira de balanço,
Balança minhas saudades…
Na varanda, no farfalhar das pétalas,
Onde bailavas com excitante corpo,
Minha bailarina o que fizestes
Como o sol de nossa mocidade?

II
Preparavas meu chimarrão,
Tal qual te ensinara!
Puxavas a cadeira de vime,
E ao meu lado sentavas!
Proseávamos madrugada a dentro,
Acompanhando o vento
Nas nossas divagações…
Apertava-me junto ao teu peito,
Fazendo-me sentir amante completo!
Depois, num gosto noturno,
Compreendi que o mundo
Ficaria completo
Se entendessem o nosso amor!

III
Na minha carteira de couro uruguaio,
Que me presenteastes quando do meu retorno,
Esconde teu retrato
São elementos naturais,
e junto voamos quais águias,
e combatemos os vôos das serpentes;
dos invejosos, dos ímpios,
dos medíocres, dos larápios…
Os discursos se enchem de meles,
As bocas, de ataques,
As vidas de rastejos!
Quando interrogamos: o que é o Amor?
Afastam-nos das verdades,
Dos aspectos interessantes do mundo,
Dos interpretações míticas do mundo,
Do senso comum das negações!
Não terminastes meu quadro,
Ficando só o rascunho,
Leves traços,
Tintas foscas, tela francesa,
O sombreamento confirma meus atos,
E com teu dom artístico,
Apagastes de mim a ignorância do dogmatismo,
Que fazia com que eu acreditasse nas coisas fúteis
E vazias!
Teces em mim cores pastéis, aquarelas, nanquins…
Escultora de mim,
Escritora de mim!

(Jun: 03, 2001)

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