Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIII

XIII – LÁBIOS

I
Partem-se os lábios, beijos divididos
E um sôfrego desejo
De nos possuirmos!
Carne, minha carne! Por que sofres?
Não foi teu contentamento o despejo?
Que morada tu terias se não fosse aquele beijo partido?
Tens que se aprumar ao vento das Palavras Sussurradas…
E por estréia de um beijo,
almejar ser entre os atores
O que reage aos rancores!
De ser entre os pintores,
O criador da beleza das cores!
De ser mais que os imperadores,
Ser o senhor dos senhores!
De ser mais que todos os sabores,
Ser o licor dos licores!
De não mais os dissabores,
Mas ser teu , somente teu,
De todos os amores!

II
Sem gestos, ou sombras como hálibis,
Caímos indefesos em nossos atos!
O vento te descortina em nudez serena,
Teus olhos, seios, bocas e desejos,
em peito meu, coração se transbordava inteiro…
Tu és aquela que meu reino tu veneras,
Na busca alteza de impérios
Construindo num beijo
Trágico os dilemas!
Morde meus lábios, desesperas!
Rompe no silêncio o despertar de feras!

III
O ato imaculado vocifera
Pelos cantos da sala,
Corpos salsa e merengue,
O vento sopra e não se cala,
Me beijas enquanto, saio,
se atiras em saias
enquanto entregue,
beijas (a) fala, beijas (o) falo!
as bocas úmidas se seguem
vertiginosamente em atos inteiros,
contemplando o que nunca fomos,
o que nunca fostes,
o que eu nunca fui numa era!

(Jul: 09, 2001)

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