Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XIX
XIX – EXPRESSÕES
I
Ao longo de minha vida,
Viajamos por vários quartos do mundo,
Expondo em cada um,
Nossos assuntos, nossas doutrinas!
Onde estão os discípulos do amor
Dos poemas, dos dias romanescos?
Os poetas mentem em demasia!
Se me coloco numa das margens do rios,
Do outro me questionas:
-“Até quando ficarás ai?
Minha vontade é cruzar meus braços,
Enquanto no penhasco, flutuo ao vento
Da existência,
Aos ventos do exercício de ser teu!
Não te descarto na eugenia,
Dirás a minha prole:
-“Do meu amado, nos fizemos um
como corpo enobrecido,
como sangue viajante,
como duas vidas únicas!
Meu amado, é meu par,
Meu guerreiro medievo!”
II
Supero todos os defeitos,
Supero todas as mazelas,
Supero toas as angustias,
Supero todas as esperas,
Supero todas as viagens,
Supero todas as rotinas,
Supero todas as visagens,
Supero todas os valores,
Supero todas as falsidades,
Supero todos os abstratos,
Supero todos os atores,
Supero todos os contratos,
Supero todas as maldades,
Supero a mim mesmo,
Só não consigo te superar!
III
Cures-me meu amor,
Já não suporto teus predicativos,
Transbordou meu coração com adjetivos
Nunca esperados!
Doce momento,
Invejosa cautela de querer…
Não se termina,
Não completa,
As sentenças
Ficam abertas,
Esperando o que está separado!
Verdades. Onde estão?
Se não consigo
Libertar-me destes inconseqüentes
Perigos…
Os meus projetos se tornam fósseis,
Para os prazeres doentes…
Meu tratamento
É para especialistas,
Curar pensamentos,
Como custar ventos de maio,
Primeiro, intento;
Depois o desmaio!
Qual colo cair?
Qual rosto afagar?
Qual solo servir,
Se não dá pra esperar?!
Se me coloco numa das margens do rios,
Do outro me questionas:
-“Até quando ficarás ai?
E eu respondo:
-“quando pudermos construir
juntos um antídoto,
que justifiquem nossos parágrafos!
(Ago: 14, 2001)
Deixe um comentário