Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XX
XX – DIÁLOGOS
I
O que trazes em teu pensamento?
Vejo pelo visto que os meus pensamentos
Inundaram-se de sonhos…
Persigo meus intentos,
Revejo meus tormentos,
Ou lá no fundo, quem sou?
Sou eu uma indefesa criatura,
Que te invade o pensamento
Em busca de loucura?
Quem senão eu,
Archote em mãos alheias,
Rastro apagado na areia,
Ou intenção que fulgura?
Prezo pelos meus costumes,
A fé quem sabe me desfaça de ciúmes,
A morte um gosto amargo
Em fel, ou ânsia castigada
De rasgado mel?
Não faço tocaias
Em pensamentos teus,
Sou víbora presente nos teus passos,
Ou trago em peito meu
Num coração ateu
A tua forma de ser?
II
Visto retomar altos castelos,
Se desmanchando em areia,
Visão de forte rocha parecia,
Mas a fragilidade existia,
Nos corredores,
Das maldades
E dores, da sua criadagem!
Experimentei, beijos doces,
Apimentados, agridoces,
Insossos, medíocres,
Mas não, os teus,
Favos reais de mulher…
Não rufares, nem clamores,
Ouço apenas, no além vale,
Um começo breve
De falares,
De andares,
Da busca de neves em desertos baldios!
Vejo em meus caminhares,
Que tu pertences a algum nobre,
Que de brasões, lutas contínuas
E tradições, venham a te possuir
Como senhora de algum paço distante!
Não me zombem, oh estúpidos fidalgos,
Que esta mulher, de pele em pêssego,
E face em maçãs, me é por direito,
A costela, o barro perfeito
Que saiu de mim!
Meus ossos clamam
Por seus amores,
E cada pedaço de meu corpo,
Rebelam-se em lutar,
Uma revolução do eu interior
Com os eus covardes sem par!
III
Lês meus pensamentos?
Quais páginas são sobre ti?
Algo proibido?
São mesmos que os teus?
Ou tem algo que é difícil de se interpretar?
É complexo?
Vulgar?
Quantas propostas existem?
Quantas tristezas se escondem?
Quem tem o direito?
Existem problemas
Que dizem meus pensamentos
Sobre as tuas atitudes?
Sou valioso na conquista
Ou necessitas que eu te estude?
Afinal, se lês meu pensamento,
Porque então me manténs cativo
Como fosse um predicativo
Perdido em tuas perguntas?
(Ago: 19, 2001)
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