Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXI
XXI – CONTRATEMPO
I
O relógio na parede de sala
Marcavam duas e trinta da madrugada…
O silencio percorria nossas falas,
Gracejos e o toque das mãos
Falavam algo que o silencio
Não podia ouvir…
-“O que foi, meu Amor?”
teus lábios carnudos sussurravam
aos meus ouvidos.
-“Não. Estou apenas pensando…” Respondi.
-“Em quê?”
-“Em nós!”
o nosso tempo na parede esta contra nós…
podia sentir em cada segundo nosso.
Não tinha como desmarcar o horário do vôo…
Seriam às sete e ponto final!
As malas sentiam a nossa presença
e ficavam tristes a lembrar de tudo…
por sobre a lareira, nossa foto em preto e branco,
do nosso último encontro,
tinhas colocado junto ao meu blaser.
Me roubou um beijo, e outro, e outro…
… e fugiu para a varando.
O relógio estava avisando que o tempo
Esgotara-se entre nós!
II
Meu relógio, minha pulseira, meus óculos…
Estavam olhando para mim
Num contratempo que não consigo decifrar.
Rapidamente o táxi chegou.
Entrei, e desesperado te busquei
Com meu olhar se estavas me olhando…
A velocidade de tudo vai distanciando
O portão, as flores, as luzes frias,
A tua imagem…
Um grito estava prestes a explodir
Em meu peito, mas me contive!
Sabia eu que lá atrás a minha amada,
Sentada na varanda
Abraçava meu retrato.
III
Na janela as nuvens se aglomeravam,
E cada vez mais distante ficava…
Meus sonhos se tornaram aéreos demais
Pelo o que eu tive!
Visualizava compenetrado tua foto,
Com sorriso brando, maroto e convidativo,
E podia senti-los e beijá-lo…
-“O que foi, meu Amor?”
Os meus reflexos te traziam a minha frente
como intocável forma de mulher.
Quilômetros e quilômetros eu me pedi…
Ficando à margem de nós dois:
A intimidade e os delírios!
As brincadeiras, os travesseiros,
Os balançares na varanda,
E o podar das tosas.
São o nosso tempo real!
Com o amor veio o contratempo de nós dois,
E a tentativa de eliminarmos as distâncias
Tomou conta do nosso tempo!
(Set 01, 2001)
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