Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXIII

XXIII – ANALOGIAS

I
Vieste num sábado qualquer de junho,
Entregaste-me um cartão, e saíste!
Os olhares te seguiam famintos pelas ruas!
Meus olhares, simplesmente se reservam
No silêncio de entender os por quê!
Amantes ilegais,
Amantes de etc e tais,
Amantes inconstantes,
Amantes, somente amantes
Inconformados letais!
Amantes importantes!
Incrédulos bacantes!
Amantes informais!
Escrúpulos amantes!
Amantes informantes!
Crepúsculos morais!
Entregaste-me um cartão, e saíste!

II
Caminho a passos lentos,
E em cada esquina que conquisto
Observo que em cada olhar de alguém,
Existe um eu esquisito…
Ora, seguindo tua sombra,
Ora, perdendo-me na multidão!
Alguém esbarrou em mim,
Alguém análogo de mim,
Ora, querendo ser simples transeunte,
Ora, perplexo nos outros dias!
Sábado marcado nas folhinhas,
Ditavam algo especial:
Se fui, não sou o que era antes;
Se és, é porque tu me convinhas!
Entregaste-me um cartão, e saíste!

III
Em nanquim te desenhei em vegetais,
Não tinha outra maneira de te converter!
Haviam mil razões de te perder,
Mas registrei-te em meus arquivos de aço,
Com chaves e até senhas…
Amantes arquivados em cartões!
Nas vitaminas e sais minerais
Devorei-te como aquele dia
Que alguém esbarrou em mim:
Num dia distante e simpático;
Silenciei-me como um silêncio sabático!
E tu simplesmente
Entregaste-me num cartão, analogias!

(Set 15, 2001)

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