Quarto Minguante: um olhar diferente pela janela!

I
Lua que te quero nua,
Quero roubar teu luar,
E te ver lá pelas duas
Com o corpo suado de anoiteceres,
Vigiando os teus suspiros,
Analisando teus fulgores,
E senti-la em todas as fases suas…
II
Lua que te quero bela,
Quero roubar teu luar,
Flertar-te nas janelas
E compreender todos os teus poderes!
Tocar-te assim pelas vidraças,
Como quem aprecia obra de arte,
Teu corpo, a pele nua!
III
Lua que te quero minha,
Quero roubar teu luar,
Não quero te ver sozinha,
Preciso muito entender teus dizeres!
Beijar-te como beijo o sereno
Apreciar teu todo teu brilho,
Enquanto tu te insinuas!
IV
Lua que te quero sol,
Quero roubar teu luar,
O meu quarto é um atol,
E chego a conclusão que sou mais um entre os seres!
Brilhes! Rompas de todas as janelas, a minha!
Mas que fique só entre nós
A cena em que tu atuas!
V
Lua que te quero livre,
Quero roubar teu luar,
Antes que tu me prives,
Serei teu Grand Imperator, se não me esqueceres!
Sonhes! Mas não roubes todos os meus sonhos!
Não posso ainda ouvir a tua voz,
Mas levantarei aos céus, para chegar a ti, gigantes gruas!
VI
Lua que te quero menina,
Quero roubar teu luar,
Serei teu professor que ensina
Todas as maneiras de possuir os saberes!
Escondes-te em secretos e-mails,
E navegando, vou me sentindo algoz
Que navega sozinho pelas ruas!
VII
Lua que te quero perto,
Quero roubar teu luar,
Iluminar meu deserto,
É algo tão utópico, nos teus pareceres?
Estou do lado de cá, na minha janela
Nos desenhando no vidro, a sós…
E as nuvens querem que assumas!
VIII
Lua que te quero esbelta,
Quero roubar teu luar,
Não serei eu um novo Ícaro em asa delta?
Se é isto que realmente que tu queres em teus quereres!
A vidraça se embaça com meus suspiros.
E eu, a olhar, bordando nós
Num banho de espumas!
IX
Lua que te quero nobre,
Quero roubar teu luar,
Meus quereres são pobres
Ante parabólicas e satélites dos prazeres!
Todas as noites fico aguardando tua volta,
Mas nem sempre desato os nós…
Sempre vem uma chuva!
X
Lua que te quero mulher,
Quero roubar teu luar,
E te pintar feito Mollière!
Serei eu um lunático que não cumpre deveres?
Ou um andarilho perdido nas parreiras
Aguardando como animal feroz
A chance de provar as tuas uvas!

(Ago: 17, 2007)

Deixe um comentário