Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) X
X – ONTEM
I
Febril!
Não sei se por ausência, ou por vazio!
Quando andavas pelos corredores
E me chamavas bem baixinho,
Sussurrando, me confortavas, sabias?
Tuas mãos em meu corpo se perdiam,
O teu respirar, era canção de ninar…
E me perdia!
Revelastes o que eu mais queria ouvir:
“Me amado, meu amor! Tu és minha semente,
nasce em mim um desejo forte
um desejo que é o de sempre te amar!
Ignoro os que outros pensam…
Fazem tropeços em nossos sorrisos,
Gastam seus tempos em coisas vãs!
Haverá um dia só nosso, meu amado?
Tenho tanto me preservado só pra ti,
Que meu coração espanca-me de ansiedades,
desejos, de te querer bem pertinho,
fazer nas noites em meus braços,
cantigas, e contos!
Tu és lindo, meu amado!
Foges qualquer dia dos teus afazeres,
Granjeies teus instintos,
traga-me dos teus sonhos
o desejo de me possuir por inteira!
Os ventos abrandam as copas das árvores…
Jejuo meu corpo,
banho-me em águas cristalinas,
as espumas e o perfume na minha pele,
estão te avisando
que não tem quando e nem por quê!
É de ti que precisam,
Teu cheiro selvático de ser,
Teu corpo roceiro,
Hálito campestre de homem!
A minha loucura, quando possuir
teu corpo, será morder teu abdômen,
e as tuas orelhas pousar minha língua,
umedecer teu sexo, como fonte que jorra
meu ardente desejo por ti…
Não me esqueças, amado!
Sou tua promessa!
II
Sílabas soltas de carinho,
O mar se agita,
Fecho as porta, as janelas,
As cortinas…
Procuro neste frio,
Neste só,
No armário escondido, meu enrustido
Conhaque!
Puxo a gaveta da escrivaninha,
E fico a folhear teu álbum!
Cenas incomuns de nós dois,
Abraços, beijos,
Correndo numa praia sem nome,
Vestida com minha regata,
Meu blazer então, quem diria…
Um beijinho em minha face,
Um chapéu florido,
Um acordar de surpresa,
Um preparar de bóbó de camarão! MMMMM
Um jantar do nosso primeiro encontro!
As flores na janela!
Cosendo nossa cortina de girassóis!
Guerra de travesseiros!!! Inesquecível!
Uma careta!
Um mostrar de língua!
Um andar de bicicleta!
Uma saída da piscina! Uau!
Uma lareira, um vinho…
Imagens!!1
Lembra-se daquela vez quando fomos ao cinema?
Era uma chuva fraca, depois ficou forte.
Esquecemos o guarda-chuva no carro,
Umas duas quadras dali…
Deu bobeira, e quando lá dentro do cinema,
Me veio uma sensação de perda…
Havia esquecido as chaves dentro do carro!!!!
Fiquei nervoso, é natural,
Mas me aliviastes com um beijinho,
Dizendo-me:
-“Esqueça me amor! O importante é que estamos aqui!”
pipoca, chocolate, um suco de frutas….
ah! Eu ia me esquecendo: amendoim japonês!
Agitamos aquela noite!
Agitamos tanto, que o lanterninha
Nos convidou diplomaticamente
Que nos retirássemos dali!
Não sei o nome do filme!
E fomos a pé para casa,
Com aquela garoa fina e fria
Aspergindo sobre nós,
Enquanto as chaves do carro dormiam!
Até hoje não sei, se foi causa
Do amendoim japonês
Ou então do dropes que te dei!!
III
Oh amada que te quero tanto
Ainda ouço os teus dizeres,
Tua malicias,
Tua boca úmida procurando
Me conhecer por inteiro:
“-Haverá um dia só nosso?
Tenho tanto me preservado só pra ti,
Que meu coração espanca-me de ansiedades,
Desejos, de te querer bem pertinho,
Fazer nas noites em meus braços,
Cantigas, e contos!
Tu és lindo, meu amado!
Foges qualquer dia dos teus afazeres,
Granjeies teus instintos,
Traga-me dos teus sonhos
O desejo de me possuir por inteira!”
Não precipiteis o tempo,
Nem magoes as horas,
Também me preservo
Para que tu sejas feliz!
Nossas bicicletas estão se enferrujando na garagem!
Há um álbum que suspira nós dois!
Que depende de mais cenas
De mais abraços, beijos,
As praias ficaram desertas
Não sei onde foi para minha regata,
Meu blazer encontraram num brechó!
Sinto a falta daqueles beijinhos em minha face,
teu chapéu florido murchou, precisando de ti!
Um acordar sozinho,
E aquele bóbó de camarão? Tentei fazê-los e virou carvão!
Sem jantares!
Sem encontros!
As flores mudaram de estação!
Nossa cortina de girassóis! Não giram mais!
os travesseiros ficaram em paz!!!
Sem caretas!
Cadê a piscina?
Uma lareira apagada,
um vinho, que se transformou em vinagre!
E teus dizeres ficaram gravados na memória:
“Não me esqueças, amado!
Sou tua promessa!”
Mas isso tudo, foi ontem!
(Jun: 13, 2001)
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