Perfumes ao Vento (ou Rastros de Adeus) XXII

XXII – BODAS

I
Enquanto eu puder roubar de ti sorrisos,
O tempo ficará a nossa disposição,
Não importando quando escreveremos nossa história!
É importante sermos tão reais agora!

Na superfície plana de um prazer erótico…
Muitos silêncios se escondem!
É claro que jamais irei fechar a porta,
Enquanto o sol que nós pescamos
Viver em nossa varanda…

Tu bem cedinho levantas,
E vem logo me acariciando!
E eu me jogo sonolento ainda
em teu corpo úmido…
Vai umedecendo a razão
do meu querer eterno,
E como ser eterno?

Interrogastes meus sentimentos
Em buscar de outras verdades,
Não queres que eu seja instrumento,
Não mãos de algum covarde?

O meu chimarrão está pronto!
Fervo minha água com um pouco de funcho…
A cadeira de vime me espera,
Um lenço vermelho no pescoço…
E no trotear do meu pingo encilhado,
Vou decifrando nossas vidas!

O galpão está cheio de causos,
E tu mulher de pele índia, morena,
Com corpo macio altaneiro,
Deita ao meu lado numa rede
Que comprei em lá em Uruguaiana!

II
-“Amado, queres que te cubra de carinho!”
Ela me dizia abraçando-me pelas costas
e a roçar seus seios de campesina atrevida.
-“Me aguardes no quarto,
enquanto chimarreio minha cuia pampeana!”
disse a ela quase me afogando.

Posso ouvir o silêncio dos mates,
Em trocadilhos mateiros:
“ssssssssssssssssssssss! Sssssssssssssssss!”

o guri, da cerca vizinha,
de looooonge vem trazendo uma cordeona!
De 8 baixo talvez!
E um tocador de viola, acompanha o guri!
Pelo jeito vai haver uma tertúlia!!!

“-Vem logo amor!”
estava ela lá no quarto dos fundos
Esperando-me em pele nua
que eu a domasse e completasse
seus desejos!

Fui me preparando,
Piuchado que estava,
Larguei tudo num canto da sala,
Minhas botas “Del Gado”
Atirei de entrevero no corredor,
E me atirei,
Feito peão domador,
Guiando pelas estradas,
Como Índio Velho cheio de amor!

(Set 08, 2001)

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