Arquivo para 6 de fevereiro de 2008

Rescisões

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

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Sou tua voz cansada
Nas quatro paredes sólidas!
Acaricies um rosto próximo
Em tua volta!

Não te revoltes
Com este acorde
Que não desperta
Um sentido exato!

O teu perfume se exalando em mel,
Numa cadeira de vime
Que não tem réu.
Nem tem razão!

O pecado é cometido
E se converte à toa!
No fundo não há mais
Palavras roucas!

Nem recados surdos…
É simplesmente
Um drama riscado
Que a alma risca…

É um ato de se viver
Antagonista!

Sou sua voz cansada
Que grita às quatro paredes,
Amada me sente,
Armados em redes!

Somos uma guerra pacífica,
Eu luto, tu lutas,
Entrincheirados em mímicas
Somos autores de kamassutras!

Ora lenços brancos,
Ora lenços vermelhos!
Camas sem lençóis e fronhas,
Gemidos em espelhos!

É um ato de se viver
Protagonista!

(Abr: 30, 1981)

Última Cruzada

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Quem                      pode                      sorrir                   hoje
Poderá                    então                     gritar                   não?
Sair                        no                         silencio                sorrir
Varrendo              respeito                  que                     tem

No                         fazer                      sobrar                  lembranças
Canto                   ultima                     nota                    sim!
Olhar                    fantasia,                 apenas                 disfarça…
Triste                   morrer                    sozinho                também!

Querer                 na                         vida                      tudo
Arrastar               esperança               quando                 vem…
Uma                     tardia,                    presença              muda
Solidão?               Corrida…                fingida                  rota!

Nas                      sombras                  vozes                    loucas
Mentes                 largas                     sentem                  presenças
Que                     tangem                   pois,                      atentam,
Brotam                mudas                    quando                 fogem…

Somente              restos                      gritos                    sem
Passados             orvalhados           de                         risos,
 e                       restam                    doentes                 somente
Zombam…          gotas?                     simples                 amadores

São                    rastros                  esculpindo          pedras
Homens              perdidos,                mortes                  polidas
Que                  deixam                   simplesmente    e nos
Furtam!             deprimidos           afogamos             poços

Que                   nos                         tédios                     agora
Dos                   ciúmes                    caídos                    rimos,
Imundos            feitos                       querendo              querer
Ferem!               Ignorantes!           tememos?            morrer!

(Nov: 11, 2004)

Pontes Estreitas em Caminhos Distantes – II

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II Parte – O Banquete

O tempo buscou
Do que restava das folhas…

O anseio torturou meus hábitos…
Os registros nos caluniaram…
Os mitos nos fizeram eternos!

Os vagos canteiros que plantamos…
E foram inevitavelmente desaparecendo
De nossas vidas,
E foram lentamente caindo nas saudades!
Plantamos saudades e não sabíamos!
Murmuramos no esquecimento!

Na parede crua de nossas consultas,
Das sombras que me insultas,
De um ser humano como nós dois…
E ninguém disputa!!!

O resto se esmigalhou em fatos falsos!
Somem os profetas e o aplausos!
Surgem os demagogos e os atrasos!
Os pelegos e os egoísmos invadem nossos ideais!
Os aflitos peregrinos gemem parados nos semáforos!
Os ritos bárbaros da plebe se consomem no etílico!
Os medos medievos perseguem nossas galerias!
Os gestos insanos de um artista insano, provocam arte!
E as lutas e os sangues das gangues?
E ninguém disputa!!!

As frutas dos mangues nas mesas paupérrimas do abandono!
Os outros e as outras se digladiam e se xingam pelo espaço!
Os monstros togados julgando nossos silêncios!
As mãos afobadas escrevendo histórias em banheiros públicos!
As mil gargalhadas de espetáculos no trânsito rude!
Os nossos lamentos gagos, querendo dizer a verdade!
E ninguém disputa!!!

O vento retorce as folhas de nossas lembranças!
As folhas despencam do verde intransitivo do semáforo!
O verde desbota no tempo disputado dos românticos,
E desbrotam na dor impaciente dos solitários!

Quem de vós disputa?

(Jan: 26, 2008)

Faz-de-conta

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E todos já sabem:
Vão respirando bem fundo!
E não desagradem!

Sempre que eu contar
“um e dois e três… agora!”
podem se arrumar!

Parecem ventríloquos!
Que não esquecem da cena
D’últimos capítulos!

E foi, simplesmente,
Como pessoa que veio
Embora, descrente!

De mala em mala
Saiu fazendo novelas
Num texto sem falas!

Os outros a viam
Com’uma boba da corte:
Fazendo gracinhas!

Quando se faz pronta,
Atirou pela janela
O seu faz-de-conta!

(Abr: 12, 1986)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – I

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I – Meus presságios

O receio que sinto agora é ficar só!
Pressagio com antecedência meus dilemas….
Do contágio escasso que fizeram,
O escárnio no rosto de pessoas desconhecidas,
Estranhas, quando passo pelas ruas,
Refugio-me nos meus bosques…
Sou escultor de paralelepípedos
Das pedras limosas de tuas praias,
Despe-te de alga-marinha…

Cristalizam tua nudez
E o tempo insiste em gotejar teu corpo imune…

Ilegal os reinos que se fazem por ai,
Os ventos são surdos,
nem trombetas, nem clarins, nem chofares,
irão te revelar!
Que fiquem roucas com o talvez!
Não merecem teu imaculado ósculo…

(Ago: 04, 2003)