Arquivo para fevereiro, 2008

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – II

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

II – Meus adágios

Mas meu presságio quer roubar
O beijo do perdão que me sufoca.

O fogo se eleva em profundas bases;
É claro dizer:
o que eu quero, é o que eu sinto!

Estou no âmago do adágio resoluto!

Teu cheiro de bailarina muskeana
Refaz com nostalgia uma dança em Andantino!

Faz-me sentir nefasto, mesmo no vazio…
Quando não te vejo!
As cordas vocais cerram-se,
as sombras lembram teu suspiro,
os papiros não conseguem te revelar,
e meus presságios aprisionam-me no meu leito vago!

Tento de todas as formas
Sustentar o teu almíscar no teu travesseiro
Que está ao meu lado!

(Set: 21, 2003)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – III

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Minhas Séries, Poemas, Poesia on 6 de fevereiro de 2008 by Prof Gasparetto

III – Meu Arrependimentos

Corredores vagam por todo meu sentido
Sentando no desespero da cadeira de minha velhice…

Onde me fiz o maior dos seus amantes,
Mostrando-te pinturas e artes sacras,
Que continham a dor e o sofrimento?
Julgo-me por minhas conjugações
Dos meus atos,
Não querendo ser Pilátos, e nem Judas,
Querendo ser teu filtro desprovido de silêncio
E arrancar o sono que me falta hoje…

A vontade é grande de gritar em meio à noite
Que me enche o peito
e a saudade me inflama o peito!

Presentear-te com bolo medieval?
Onde estão as receitas?
Os ingredientes?
Os utensílios?

Mas não, duelávamos enquanto isso
Na cozinha,
Pelos corredores,
Pelas escadas,
Na varanda,
No jardim,
No silêncio…

Vagam-me nas vontades
o enjôo de ter te tornado pretérito!

(Out: 26, 2003)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – IV

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IV – Meus furtos

E a vontade sem vontade de estar…
Fingindo em nós o estar bem à vontade,
Sem me lembrar que já estou velho!

Remando em teus mares aos mares teus
Furtei-me nos meus presságios repentinos,
A figura do ateu que fita as vitrines
Em busca da real beleza…

Contive todos os silêncios e me esqueci!

E no esquecimento de falar em solidão,
Feri teus modos,
Feri teus gestos,
Feri teus desafios,
Feri teu status,
Feri nossas palavras!

No mar revolto que afoga o sol poente,
O monstro bárbaro das sílabas
Ressurgi qual vidente!
Feriu-te!
E roubou-te um beijo forçado!
Pequei!

(Nov: 15, 2003)

A. SAMMARINI – Quello Che Non Sono:

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – V

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V – Meus Lamentos

Não sei o gosto da partida.
Quando em meu leito recebo uma visita,
Alma bela e formosa senhora que me olhas,
Os olhos se dilatam, e minhas horas…
Esgotam-se,
Não preciso de saídas…
Um beijo leve paira em minha face…
Não reconheço, creio ser só uma visita!

Salivas amargas me prendem no vazio,
Criando-me raízes que se proliferam
Na mais inútil fera que me transformei!

Arranca logo minhas vísceras mundanas
Para te esquecer ao vinho o porto que te vi!
Se me puseram horas não tento altera-las
A natureza mudou o curso do esquecimento…

Enchem-me os olhos de visagens,
Contorço-me em engrenagens sílabas,
E o sulco bêbedo que retirei furtivamente,
São rosas coagidas que não serão mais perfumadas…

Vasos se quebraram e tornaram-se lixos,
O chão no rescaldo inválido me atordoa!
Como querer ser um raro amante teu,
E não conseguir,
E não tentar…

Anos que se passam,
E se estampa em minha memória
O logro da aparência espessa de antes,
E teus gestos me contaminavam de paixão
E dançavam a dança dos ateus,
A dança dos ateus intelectuais,
A dança das atéias mundanas,
A dança das pocilgas anfitriãs,
Numa prisão selada por risos sem sentimentos,
E foram-me esculpidas as rugas
Que trago hoje em minha vida!

(Dez: 09, 2003)

Vale dos Ateus: em busca de um retorno amor! – VI

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VI – Meus Arames

Lugares tornaram-me culpado por coisas que nada fiz,
O ventre de minha amada,
Faz os meus versos ejacularem-se no passado!
Isso me impressiona!
Com expressões de um futuro imaculado
E em julgamento, aquilo que criaram,
De um filósofo das sombras…
Sou um, dentre os loucos
Que vaga em busca de uma vaga
Em teu amor!
Em busca de razões,
Em busca de rasuras que cometi!

O tema absoluto me achaga minhas chagas…
Tornando uma úlcera de sentimento cardíaco…
Os magos deliciam-se em tubos de ensaio!
Os loucos tentam decifrar os códigos
Nos pergaminhos,
Escondem-se em bibliotecas,
E se tornam ácaros intelectuais…
Tento por todas as maneiras conter meu choro
Por não saber quão débil me criei,
Filosofo rastejante de passados
Para entender o que é ser humilhado!

E vão me tecendo em arames,
Farpeando as licenças que obtive
Retendo o princípio paterno de tudo,
Tristes vidas,
Trechos tristes,
O que significa conceber em cartas?
Quantas cartas melancólicas,
Fizeram-me emudecer em beijos alheios
e sentir-me anônimo no anonimato?!

(Jan: 17, 2004)