Amanheceremos
O silêncio
Bate nas janelas
Nas portas que estão fechadas…
– um nevoeiro!
Amanhã quem sabe de manhã
O sol brilhe diferente!
Refletindo no espelho,
O espelho que te reflete!
-O Sol!
-O silencio é um barulho calado,
Foi forçado a calar-se,
Quem sabe amanhã pela manhã
Poderemos chutar
Uma lata no meio da rua,
Gritar, jogar pedras nos telhados de vidro!
Bater nas portas e correr…
… dos vizinhos que não topamos!
Ou será que eles não nos topam?
Bem! É certo que devemos levantar cedinho…
Bem cedinho!
Respirar bem fundo o ar que nos resta!
E tossir desde cedo, aquele “ar” deixados pelos outros!
Tornar-se utópico querer o silencio:
Óculos?
Obstáculos? Pedágios?
Espetáculos? Merendas e bolinhas de gude?
Ridículo!
Maníaco!
Amoníaco pensar assim!
Acúmulo de acústicas palavras
Elásticas fomes dilaceram a sociedade,
E ficamos estáticos pelos banners que nos iludem!
Somos sem etiquetas,
Não temos etiquetas,
Tememos as etiquetas…
Resumindo essa ópera:
Amanhã?
Quem sabe?
Amanheceremos talvez!
(Mar: 18, 1979)
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