Cárcere privado
Fiquei à margem das palavras em tua boca
Criando rimas sem saber poetizar
Não tive outra maneira
Senão virar as páginas que ainda não escrevemos!
Fiquei a observar todos os modos
De como eu iria proceder
Num rito iniciante te abordei ali
Com gestos tão sublimes ficamos parados!
Fiquei em alguns segundos envaidecido
Por ter no teu olhar a minha imagem
Contemplo teu silêncio para por ser sábia
Que meu saber me torna ignorante!
Fiquei nas tempestades naufragado
Uma espécie de um ridículo pescador
Querendo alcançar algumas ondas
E na calmaria içaste-me um olhar!
Fiquei à margem relembrando tua boca
A mastigar sonetos de Vinícius,
E questionei sozinho às estrelas:
Por que lá no passado não te encontrei?
Fiquei perplexo e o mundo em ironia
Respondeu-me como se eu fosse vitimado
Um gesto me marcou solenemente
Que nem acreditei que alguém um dia me amou!
Fiquei a vasculhar pela internet
A sombra, o suspiro de nós dois,
Mas as respostas sempre eram as mesmas:
“NÃO LOCALIZADO”!
Fiquei em minhas noites tão calado
Que o meu coração estremeceu
Algoz dilacerava todo o meu passado
Cremado nas lembranças que eu morri!
Fiquei tão isolado nesta guerra,
Que nas trincheiras todos os meus poemas foram embora.
Olhando pela janela senti tua presença
Que meus projetos todos estavam a me cobrar!
Fiquei, vou te dizer, com muito medo:
Ao amanhecer ficar sem contentamento
Jogado à margem de uma cama de inverno
Encarcerado para sempre na saudade!
Fiquei, confesso com ciúmes,
De ver pela janela assim vários casais…
Murei meu coração feito um túmulo
Martirizando-me em minhas compaixões!
Fiquei, atrás da porta, com muito medo,
Sentindo que a vida se esvaia por completo.
Garrafas, vinhos tingem os tapetes,
Aqueles quais um dia foram testemunhas do nosso amor!
30 de março de 2008 às 00:27