
I
Onde estão tuas cartas?
Onde estão teus verões?
Onde estão tuas marcas?
Onde estão teus sermões?
Guardadas em teus armários?
Guardadas nas estações?
Guardadas nos teus salários?
Guardadas nas orações?
II
Onde está minha espada?
Onde está minha guerra?
Onde está a Palavra?
Onde está tua terra?
Perdida pelas estradas?
Perdida pelas estantes?
Perdida, enclausurada?
Perdida no meu distante?
III
Onde estão os teus risos?
Onde estão as varandas?
Onde estão os precisos?
Onde estão que me andas?
Publicadas em meu rosto?
Publicadas em mansões?
Publicadas em teu gosto?
Publicadas em nós dois?
IV
Onde estás que não me respondes?
Onde estás que não me suportas?
Onde estás que não me escondes?
Onde estás que não me importas?
Escrevendo as muitas perguntas?
Escrevendo as muitas paixões?
Escrevendo as muitas labutas?
Escrevendo as muitas razões?
V
Onde estás que estou morrendo?
Onde estás que estou te amando?
Onde estás que estou socorrendo?
Onde estás que estou desmanchando?
Pelas ilhas a me socorrer?
Pelas ilhas a me procurar?
Pelas ilhas a me converter?
Pelas ilhas só penso em te amar?
VI
Onde estão teus raros perfumes?
Onde estão teus vários olhares?
Onde estão os hilários ciúmes?
Onde estão os atalhos dos mares?
Pelas mágicas é que tu somes?
Pelas mágicas te enaltecemos?
Pelas mágicas tem nossos nomes?
Pelas mágicas, nos esquecemos?
VII
Onde estão aquelas nossas verdades?
Seremos então as duas metades?
