Arquivo para 29 de março de 2008

Inqueritus

Posted in 00 Cressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

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I
Onde estão tuas cartas?
Onde estão teus verões?
Onde estão tuas marcas?
Onde estão teus sermões?

Guardadas em teus armários?
Guardadas nas estações?
Guardadas nos teus salários?
Guardadas nas orações?

II
Onde está minha espada?
Onde está minha guerra?
Onde está a Palavra?
Onde está tua terra?

Perdida pelas estradas?
Perdida pelas estantes?
Perdida, enclausurada?
Perdida no meu distante?

III
Onde estão os teus risos?
Onde estão as varandas?
Onde estão os precisos?
Onde estão que me andas?

Publicadas em meu rosto?
Publicadas em mansões?
Publicadas em teu gosto?
Publicadas em nós dois?

IV
Onde estás que não me respondes?
Onde estás que não me suportas?
Onde estás que não me escondes?
Onde estás que não me importas?

Escrevendo as muitas perguntas?
Escrevendo as muitas paixões?
Escrevendo as muitas labutas?
Escrevendo as muitas razões?

V
Onde estás que estou morrendo?
Onde estás que estou te amando?
Onde estás que estou socorrendo?
Onde estás que estou desmanchando?

Pelas ilhas a me socorrer?
Pelas ilhas a me procurar?
Pelas ilhas a me converter?
Pelas ilhas só penso em te amar?

VI
Onde estão teus raros perfumes?
Onde estão teus vários olhares?
Onde estão os hilários ciúmes?
Onde estão os atalhos dos mares?

Pelas mágicas é que tu somes?
Pelas mágicas te enaltecemos?
Pelas mágicas tem nossos nomes?
Pelas mágicas, nos esquecemos?

VII
Onde estão aquelas nossas verdades?
Seremos então as duas metades?

Fagulhas

Posted in 07 Redondilha Maior, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Invernos! Vivi invernos!
Se o frio que sofro é saudade
Meus textos já não são eternos
Amamos e nunca foi tarde!

Crescemos fingindo paixões
Num tempo que amei de verdade
Deixamos o amor pra depois
Sem ter uma vida que agrade!

Queimamos invernos tão sós
Em quartos tão frios de dor
Lembranças viraram torpor…

Em quadros pintados por nós!
Quisera eu ser teu inverno
E em teu calor ser eterno!

Execução Sumária

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Suspenderam todos os motivos!
Iam nos levar aos inquéritos,
Não quiseram que fôssemos a referência!
Tiraram o nosso pão, tiraram a nossa água…
Obrigaram-nos a que nos despojássemos da virtude!

Queimaram nossos livros das estantes,
Urraram pelos corredores,
E estivemos lá, escondidos, em nós!

Em nós atados!!!
Suspensos em forquilhas,
Traumatizando o nosso simples!
Obrigaram-nos a conviver com o silêncio!

Mastigamos as injúrias e as injustiças, cuspimos!
Os nossos ouvidos foram lançados na surdez…
Riamos feitos tolos!
Riamos de insanos!
Envolvíamos em Araks e turbantes…
Nebulosamente esquecíamos de tudo que era ruim!
Dos encontros em bibliotecas fomos perseguidos!
Ou das leituras em parques distantes, éramos clicados!

Eram sempre os mesmos: nós!

Nós que escrevíamos tanto:
Invejaram nossos ideais!
Nós que cantávamos tanto:
Gritavam: -“Silêncio!”
Únicos nas praças!
Entre tantos cegos e pelegos,
Mutilaram a ideologia!

Muitos tombaram,
Entre os muitos, nós!

Os nossos filhos se encheram de lágrimas,
Umedecemos nossas vestes com a vergonha,
Vergonha que na nossa terra os nossos olhos têm!
Existem abortivos modos de matar a liberdade: é negando pão!

(Mai: 16, 1988)

Em Mãos Romanas

Posted in 08 Octassílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Andei nos teus vultos romanos
Impérios que fiz conquistar
Lutamos, ganhamos enganos…
Já não dá mais para lutar!

Estradas e as solidões,
São ambas as nossas distâncias…
Julgamos sempre nós dois
Um começar de infâncias!

Julguei o teu corpo em outros
Como quem procura saídas:
Entrego em tuas mãos nossas vidas!

Saudades em mares revoltos
Castigam meu peito romano,
Desculpe-me, amei por engano!

Dragonesa

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

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(photo by Renso Zevallos)

Teus olhos dragonesa
Dragam-me, me esmagam,
Engasgo olhos de paixão!

Teu ventre te queima em ritos
No cedro do musk ao sândalo
Nos versos olhos dragonesa…
Titilita entre os dentes
O fogo que te envolve,
Nas vírgulas sangüíneas
Das veias deste ébano
Marfinizado de desejos!

Teus olhos, sim, dragonesa…
O gama dos raios me filtra
E dos parapeitos que jogo ao solo
Os tijolos revestem teu piso,
Os jogos ficam soltos com teu piso,
Circunflexo atômico, diria!
Que se delta em minhas
Únicas trinta e três vértebras!

Tuas túnicas de tua razão dragonesa,
Queima nosso leito vertente!

Serpenteias, dragonesa!
Tira tua túnica tragicômica
E queima nosso leito animal!