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Dragonesa

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

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(photo by Renso Zevallos)

Teus olhos dragonesa
Dragam-me, me esmagam,
Engasgo olhos de paixão!

Teu ventre te queima em ritos
No cedro do musk ao sândalo
Nos versos olhos dragonesa…
Titilita entre os dentes
O fogo que te envolve,
Nas vírgulas sangüíneas
Das veias deste ébano
Marfinizado de desejos!

Teus olhos, sim, dragonesa…
O gama dos raios me filtra
E dos parapeitos que jogo ao solo
Os tijolos revestem teu piso,
Os jogos ficam soltos com teu piso,
Circunflexo atômico, diria!
Que se delta em minhas
Únicas trinta e três vértebras!

Tuas túnicas de tua razão dragonesa,
Queima nosso leito vertente!

Serpenteias, dragonesa!
Tira tua túnica tragicômica
E queima nosso leito animal!

Ciúmes Vitrinais

Posted in Acróstico Clássico, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Cidades tão perdidas…
Haverá quem as encontre?
Urbanizadas e violentadas
Vozes zombam pelas madrugadas
As dores de um parto clandestino!

As sombras pelas multidões
Chuleiam a busca o prazer
Indivíduos cobrem-se de capuzes
Deitam-se em praças etílicas
Alimentam alguns pombos…

Não dizem que são cidadãos
Ainda que suas sombras vaguem…

Muitos sobem e se escondem
Inibem as galerias
Narcotizam-se de ciúmes vitrinais…
Haverá quem as encontre?
As dores ecoam pelos túneis…

Cidades tão perdidas!
Impérios fracassados
Dogmatizados de concretos
Aderem suas marcas em marquises
Dramatizam-se pelos fatos urbanos
Enquanto são despejadas!

Cidades tão perdidas!
Haverá quem as encontre?

Cárcere privado

Posted in 00 Livressílabos, Crônicas, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Fiquei à margem das palavras em tua boca
Criando rimas sem saber poetizar
Não tive outra maneira
Senão virar as páginas que ainda não escrevemos!

Fiquei a observar todos os modos
De como eu iria proceder
Num rito iniciante te abordei ali
Com gestos tão sublimes ficamos parados!

Fiquei em alguns segundos envaidecido
Por ter no teu olhar a minha imagem
Contemplo teu silêncio para por ser sábia
Que meu saber me torna ignorante!

Fiquei nas tempestades naufragado
Uma espécie de um ridículo pescador
Querendo alcançar algumas ondas
E na calmaria içaste-me um olhar!

Fiquei à margem relembrando tua boca
A mastigar sonetos de Vinícius,
E questionei sozinho às estrelas:
Por que lá no passado não te encontrei?

Fiquei perplexo e o mundo em ironia
Respondeu-me como se eu fosse vitimado
Um gesto me marcou solenemente
Que nem acreditei que alguém um dia me amou!

Fiquei a vasculhar pela internet
A sombra, o suspiro de nós dois,
Mas as respostas sempre eram as mesmas:
“NÃO LOCALIZADO”!

Fiquei em minhas noites tão calado
Que o meu coração estremeceu
Algoz dilacerava todo o meu passado
Cremado nas lembranças que eu morri!

Fiquei tão isolado nesta guerra,
Que nas trincheiras todos os meus poemas foram embora.
Olhando pela janela senti tua presença
Que meus projetos todos estavam a me cobrar!

Fiquei, vou te dizer, com muito medo:
Ao amanhecer ficar sem contentamento
Jogado à margem de uma cama de inverno
Encarcerado para sempre na saudade!

Fiquei, confesso com ciúmes,
De ver pela janela assim vários casais…
Murei meu coração feito um túmulo
Martirizando-me em minhas compaixões!

Fiquei, atrás da porta, com muito medo,
Sentindo que a vida se esvaia por completo.
Garrafas, vinhos tingem os tapetes,
Aqueles quais um dia foram testemunhas do nosso amor!

Caligrafias

Posted in 08 Octassílabos, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Prenderam as frases nos livros
E fomos cativos sem chances
Disseram que estávamos vivos,
Roubaram os nossos romances!

Jogaram na lama os sonhos
Idéias de uma geração
Nas ruas os passos tristonhos
Caminham tontos sem canção!

O mundo se fez utopias
Pessoas sem sonhos não vivem
O mundo agora é de crimes!

Justiça sem caligrafias
Fica difícil entender
Não desistimos por saber!

Amor! Sábio quem te criou!

Posted in 00 Livressílabos, Poemas, Poesia on 29 de março de 2008 by Prof Gasparetto

Amor, sentido único de verdade!
Misterioso na natureza humana,
Originário da benevolência espectral,
Recompensa de poucos!

Amor, dissílabo inquestionável de clareza!
Muitos falam teoricamente,
Outros esquecem, na prática!
Ricos os que têm!

Amor, privilégio inevitável aos talentosos!
Muitos não sabem,
Ou não sentem…
Reservado exclusivamente a poucos!

Amor contemplativo da Vida!
Milhares escreveram sobre.
Outros nem leram…
Retiram das estantes sorrateiramente!

Amor, fenômeno que causa revolução!
Muralhas são conquistadas em seu nome!
Os caminhos são abertos a todos que o querem!
Revelações são declaradas aos amantes!

(Nov: 06, 2006)