Arquivo para maio, 2008

Linhas Sublinhadas

Posted in Poemas, Poesia on 30 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

(Art by ladydawg – secret)

Esferografei-te em rimas,
Procurando nos teus traços
Um fio condutor, que me levasse
Atomizado ao teu encontro!

Esferografei-te em folhas
Como se fosse compor as estações,
Mas percebi que o calendário
Era pretérito perfeito!

Esferografei-te em páginas
Articulando em cada frase
Um ritmo harmônico de desejos
E quereres etéreos!

Esferografei-te como definitivo
Instigando um limite ao infinito,
Rebuscando nas entrelinhas,
Exclamações dos depois!

Esferografei-te como livro
Não em eterna estante.
Não em bibliotecas, ou livrarias,
Mas como memória minha somente!

Esferografei-te em minha pele,
Na tentativa de te tatuar em mim,
De perpetuar um sim.
Mas a tinta acabou, chegou ao fim!

Esferografei-te em incisos,
Para provar e ver se advinhas
Quantas esferográficas preciso
Para sublinhar as tuas linhas!

Meio Ambiente: Eu Quero Um Pra Viver!

Posted in Acróstico Clássico, Crônicas, Pensamentos, Poemas, Poesia on 30 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

(Art by Mazo 3D)

Mas há tantas perguntas a serem feitas,
entre tantas: o que fizeram das cores?
Ignoram os verdes, ignoram os azuis…
Oprimem as águas, oprimem os ares!

Alguém quis pintar o cenário com outras cores
manchando as cores primárias, as secundárias…
Brincaram com as matizes do cinza, vejam só!
Ignoraram as cores, ignoraram os vôos…
Elevaram o cinza feito cortina em céu fechado!
Não foram capazes de bordar o futuro:
trouxeram tratores e moto-serras!
Evitaram o novo, plantaram o obscuro!

Obrigaram as aves a pousarem! Mas aonde?

Queimaram solos, décadas, memórias…
Ungiram com brasidos o solo fértil,
Ergueram tótens à tecnologia e chaminés à demagogia!

(Art By almagnus.com)

Ergueram monumentos rústicos, desviaram rios!
Sem saber ao menos uma única prece…
Todos querem beber da mesma fonte:
Água que não mais evapora, vira pó!
Orgulhos? Podres orgulhos!

Respondem com agressividade capital,
Erguem muralhas ao monopólio comercial…
Sentem-se donos da própria natureza…

Erguem outdoors em neóns e acrílicos,
Revolvendo seus problemas financeiros!
Vasculham as florestas, expulsam os silvícolas…
Arquitetam banquetes, grandes festas!
Não imaginam que os dias são críticos,
difíceis de manejar…
Orgulham-se com o caos assoberbado da luxúria…

Pensam na imortalidade tordesilhana,
Arquivam a natureza como um simples detalhe,
Resolvendo seus problemas financeiros!
Armam-se de tratores, serras-fitas e arames farpados!

Armam-se de glórias, deixando para trás farrapos…
Servidão inglória, servidão desumana!

Não percebem que mataram mais um dia!
Óbitos e mais óbitos
Saem dos hectares,
Saem do sonho ardil…
Agridem com suas máquinas o nosso jeito infantil!
Saboreiam a mediocridade desmatando vidas!

Valei-me Deus: o que é a vida afinal?
Isso tudo seriam partes de um pesadelo
De Hiroshima à Chernobyl?

Armam-se de arrogantes senhores?
Senhores do quê?

Senhores de quem?
Eles devem pensar que são imperadores!!!!

Enganam-se, senhores!
São apenas medíocres senhores,
trazendo a tragédia como projeto,
Aguçando na natureza seu poder insano!

Ouçam-me que se faz tarde se queremos preservar o ser humano!

Mesmo aqui, procuro cultivar
Ao menos uma semente,
Num solo hostil, às vezes sou descrente!
Criaremos, ou tentaremos revolucionar!
Haja o que houver,
Ainda que as bandeiras não tenham mastros,
Negaremos hoje que o absurdo continue…
Dão-nos pedras, daremos pães!

Ouviremos os sensatos, reagiremos aos infiéis!

(Art By almagnus.com)

Ainda há tempo, amigos!

Venceremos braço-à-braço!
Iremos juntos passo-à-passo!
Diremos a todos numa só voz que a natureza é nossa!

                                             que a natureza somos nós!
Alguém é contra???

(Mai: 30/08)

Espelhos Invertidos II

Posted in Acróstico Clássico, Minhas Séries, Poemas, Poesia on 26 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

II – Orie Revef! (a proibição)

Filosofamos entre taças de champagnes…
Entre frissons e olhares!
Vestimos nosso ato em palco…
Entregamo-nos nas noites: o suor!
Relevamo-nos nos dias: o calor!
Entregamo-nos e nos revelamos!
Impressionamos nossos convidados!
Retiramo-nos do meio do salão:
Outro beijo, outra ousadia!

És a estrada objetiva…
É o caminho dos amantes delirante…
És o cântico inevitável das paixões clandestinas…
És a revelação de um grande amor enclausurado…
És o esconderijo de manhãs do meu sigilo…
És a escultura mais perfeita de mulher…

Que marcou em mim
Entalhes de um amor brutal…

(Out: 28, 1986)

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Espelhos Invertidos I

Posted in Acróstico Clássico, Minhas Séries, Poemas, Poesia on 26 de maio de 2008 by Prof Gasparetto

I – Orie Naj! (a conjugação)

Jejuamos juntos…
Amores em gregos mármores, canções latinas!
Nostalgiamos valsas vienenses…
E depois, nos alimentamos de noites!
Impressionamos nossos convidados
Rompemos os obstáculos,
Ousamos velejar em público…

És todo o brilho de uma manhã singela…
És todo perfume desconhecido…
És a brisa que me beija em sonhos de valsa…
És a pétala de selvagem orquídea…
És a conjugação do verbo amar perpétuo…
És o primeiro eterno encontro…
És o verdadeiro beijo do adeus platônico…
És a canção nativa que me inspira etéreo…
És para mim eterna primavera…
És a impressão fatal…

Que marcou em mim o início
De um romance bárbaro…

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(Out: 20, 1986)