Arquivo para 29 de julho de 2008

Andares Perpétuos I

Posted in Minhas Séries, Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

I – Conectudes

Tens andado em silêncio
Procurando dizer
O que devo fazer!

Tens andado distante
Tão carente de abraços
Tão perdidos os passos!

Tens andado sem tempo
Questionando futuros
Dois amores maduros?

Tens andado em momentos
Esculpindo nas letras
Fazendo-me caretas!

Tens andado tão tarde
A cobiçar veraneios
Numa ilusão dos alheios!

Tens andado em praias
Apagando as pegadas
Que construímos por nada?

Andares Perpétuos II

Posted in Minhas Séries, Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

II – Reflectudes

Tens andado faceira
Num mundo só de vaidades
Fogueiras afogam verdades!

Tens andado em varandas
Refletindo paixões
D’algumas letras-canções!

Tens andado em jejum
Jejuando em cobertas
Podando-me as arestas!

Tenso andado tão rude
Que me vasculhas na rede
Se estamos em quatro paredes?

Tens andado passado
Revisando nas cartas
Uma persona non grata?

Tens andado sonhando
Em travesseiros de espuma
Que não tenho chance alguma?

Andares Perpétuos III

Posted in Minhas Séries, Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

III – Vicissitudes

Tens andado saudades
Algodão-doce nos parques
Que neste beijo te embarques!

Tens andado bem séria
Com um choro meio ensaiado
E eu perdido ao teu lado!

Tens andado tão presa
As mãos atadas em alianças
E eu perdendo esperanças!

Tens andado tão livre
Como o coração leve e solto
E eu já nem sei se estou morto!

Tens andado em tristeza
A cobiçar e eu falo
Num estremecer de abalos!

Tens andado tão bruta
A cogitar vitupérios
A revelar meus mistérios!

Andares Perpétuos IV

Posted in Minhas Séries, Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

IV – Amplitudes

Tens andado com gestos
Verificando meus passos
Extasiantes espasmos!

Tens andado em notícias
Representando as letras
Apresentando caretas!

Tens andado em vigília
Como quem busca abrigo
Em tuas mãos eu te sigo!

Tens andado em acordos
Pautando minhas audiências
Testemunhando licenças!

Tu tens andado em meu copo
Milimetrando prazeres
Me alimentando conselhos!

Tens andado em minha vida
Amando e te domando demais
Amando-me e te curando em meus sais!

Trilhos Urbanos (ou Janelas Trilhadas)

Posted in Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

Às vezes recrio expressões
Acenos em alguma estaca…
Eu fico a olhar na janela:
As muitas pessoas que vão…

Quem fica imagina um retorno,
Quem segue não sabe se volta
Eu fico a olhar na janela:
As vidas que a vida revolta!

Bilhetes e olhos de chuva
Um beijo não pode evitar.
Eu fico a olhar na janela:
As lágrimas nem podem contar!

Alguém telefona aflito,
E num desespero… ninguém!
Eu fico a olhar na janela:
Mensagens escritas de alguém!

O vidro embaçado na tarde
Parece dizer a verdade!
Eu fico a olhar na janela:
Pessoas sem suas metades!

Meus olhos persistem a procura,
De um, sobretudo vermelho…
Eu fico a olhar na janela:
E ainda assim sem espelho!

O tempo fechou-se ‘inda cedo
E todos dispersos sumiram…
Eu fico a olhar na janela:
O tempo que nós não nos vimos!

Eram precisas centenas,
Milhares de horas, nem sei!
Eu fico a olhar na janela:
Teu rosto ‘inda não encontrei!

Meu coração já está velho
De tanto bater em tua porta!
Eu fico a olhar na janela:
Se amo? Já não importa!

Trago uma foto de sonhos
Que fomos tão breves também!
Eu fico a olhar na janela:
E penso: será que ela vem?

Perguntas são tantas perguntas
Que as resposta já se perderam!
Eu fico a olhar na janela:
Pessoas que não se entenderam!

Às vezes crio expressões
Do ontem se tornar hoje!
Eu fico a olhar na janela:
Quem sabe um dia tu grites meu nome!