Arquivo para julho, 2008

Andares Perpétuos III

Posted in Minhas Séries, Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

III – Vicissitudes

Tens andado saudades
Algodão-doce nos parques
Que neste beijo te embarques!

Tens andado bem séria
Com um choro meio ensaiado
E eu perdido ao teu lado!

Tens andado tão presa
As mãos atadas em alianças
E eu perdendo esperanças!

Tens andado tão livre
Como o coração leve e solto
E eu já nem sei se estou morto!

Tens andado em tristeza
A cobiçar e eu falo
Num estremecer de abalos!

Tens andado tão bruta
A cogitar vitupérios
A revelar meus mistérios!

Andares Perpétuos IV

Posted in Minhas Séries, Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

IV – Amplitudes

Tens andado com gestos
Verificando meus passos
Extasiantes espasmos!

Tens andado em notícias
Representando as letras
Apresentando caretas!

Tens andado em vigília
Como quem busca abrigo
Em tuas mãos eu te sigo!

Tens andado em acordos
Pautando minhas audiências
Testemunhando licenças!

Tu tens andado em meu copo
Milimetrando prazeres
Me alimentando conselhos!

Tens andado em minha vida
Amando e te domando demais
Amando-me e te curando em meus sais!

Trilhos Urbanos (ou Janelas Trilhadas)

Posted in Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

Às vezes recrio expressões
Acenos em alguma estaca…
Eu fico a olhar na janela:
As muitas pessoas que vão…

Quem fica imagina um retorno,
Quem segue não sabe se volta
Eu fico a olhar na janela:
As vidas que a vida revolta!

Bilhetes e olhos de chuva
Um beijo não pode evitar.
Eu fico a olhar na janela:
As lágrimas nem podem contar!

Alguém telefona aflito,
E num desespero… ninguém!
Eu fico a olhar na janela:
Mensagens escritas de alguém!

O vidro embaçado na tarde
Parece dizer a verdade!
Eu fico a olhar na janela:
Pessoas sem suas metades!

Meus olhos persistem a procura,
De um, sobretudo vermelho…
Eu fico a olhar na janela:
E ainda assim sem espelho!

O tempo fechou-se ‘inda cedo
E todos dispersos sumiram…
Eu fico a olhar na janela:
O tempo que nós não nos vimos!

Eram precisas centenas,
Milhares de horas, nem sei!
Eu fico a olhar na janela:
Teu rosto ‘inda não encontrei!

Meu coração já está velho
De tanto bater em tua porta!
Eu fico a olhar na janela:
Se amo? Já não importa!

Trago uma foto de sonhos
Que fomos tão breves também!
Eu fico a olhar na janela:
E penso: será que ela vem?

Perguntas são tantas perguntas
Que as resposta já se perderam!
Eu fico a olhar na janela:
Pessoas que não se entenderam!

Às vezes crio expressões
Do ontem se tornar hoje!
Eu fico a olhar na janela:
Quem sabe um dia tu grites meu nome!

Último Tributo ao Amor Perdido

Posted in _Stand By on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

Nas nossas palavras ficamos
Andando em sentidos opostos
Ouvimos saudades nos planos…

Queremos vingar nosso tempo
Usando nos gestos clamores
Enquanto vivermos distantes
Remendos de encontros vazios
Ousamos ficar em silêncio!

Meus atos nos deixam cativos…

Algemas de súplicas somos
Iremos prender nossos anos
Sementes que não vão brotar!

Pedimos perdão cara-à-cara
Ensaios de um texto décor
Registros de inúmeros planos
Sementes que não vão brotar!
Insensíveis fomos atores
Sabendo que o palco ruiu
Trouxemos em nossa bagagem
Imagens sem cores vermelhas
Reprises não voltam atrás!

Achamos por bem a distância…

Unimos o que nunca uniu
Medimos as nossas partidas

Agimos quais dois paleolíticos
Medindo instintos por vezes
Olhamos os rostos marcados
Rogamos não envelhecermos!

Queremos de novo as peles
Umedecermos os gestos…
Então só te resta parir!

Silêncios me deixam calado
Em todos os cantos paramos
Inesquecível sonhar!

Queridas manhãs de outono
Um dia pudemos podar
Enlaces de noites perpétuas!

É isso que busco em nós dois…

Poeiras e mares suspiram
Roteiros que engavetamos
Os poucos momentos de nós
Irritam as nossas presenças
Beldades de irônicas vozes
Impedem que amemos eternos
Ditamos no texto o falar
Olhamos em nós a crônica feita por um…

(Mar: 12, 2002)

Réplicas de um Adeus Indesejado

Posted in Acróstico Clássico, Poesia on 29 de julho de 2008 by Prof Gasparetto

Chove! E é muito forte!
Ouve-se no rádio no canto da sala
Mozart ritualizando nossos paços…
Ouve-se no rádio Mozart, sem canto!

Vi muitas chuvas
Ou eram lágrimas?
Umedeceram meus olhos os teus…

Diante desta chuva tão forte
Invado teus aposentos
Zero as nossas brigas
Evito as lembranças em preto e branco
Registradas no canto do espelho…

Queria não poder chamar tua atenção!
Uma vez que chovi de remorso
enquanto tu silenciavas minha partida!

Tudo tinha um propósito:
Encarcerarmo-nos em nosso um quarto e meio!

Antes da chuva
Muitas águas rolaram
Oraram e ficamos no silêncio somente!

Silêncio que nos trata em conta-gotas…
Espelhos? Fotos? Marcas de baton no corpo (no copo…)?

Neguei a chuva em teu rosto
Enxuguei as tempestades naquele copo!
Mergulhei no arrependimento!

Sou um pouco do silencio entre nós…
Estou em silêncio…
Imperdoavelmente estou aqui!

Olhares me perdem na saudade…

Queira não poder chamar tua atenção!
Uma vez que a chuva
Encontrou uma fresta em meu telhado!

Éh! Meus tormentos roubam tua paciência…

Antes da chuva
Meditei em tuas palavras:
“-Ainda que tu me abandones
Reservar-te-ei um perdão!”

Ouço Mozart!
Um dia te amei de verdade!

Ontem te amei com saudades!

Queria não poder chamar tua atenção!
Um dia te amei em noturnos meus…
Eu pensei que me amastes…

É! Os meus tormentos…

Ainda me amas???
Me respondas então:
Ouvimos ou não Mozart?
Retires então o que me sobra desta tormenta!

(Mar: 13, 2008)