HISTORIAS EM PÓ DE GIZ

(Betto Gasparetto)

Observai, óh espectadores da existência, como esses humildes fragmentos, aparentemente desapercebidos, carregam consigo segredos insondáveis e narrativas desconhecidas.

Quando sobre o piso são lançados, como migalhas perdidas, representam a jornada do caminhante, delineiam seus passos, revelam sua dança pelo mundo.

Oh, quão imperturbáveis são, testemunhas mudas das histórias que se desenrolam diante de seus olhos inertes, guardando os segredos das sendas trilhadas.

Assim como a vida, em sua efemeridade, esses pedaços de giz se desfazem sob a pressão dos passantes, desvanecem-se ao menor sopro do destino.

Ah, são símbolos da transitoriedade, da impermanência que rege tudo o que é tangível. Cada traço desenhado com eles, efêmero e transitório, assemelha-se às memórias que se desvanecem com o tempo.

Eles, que moldam letras e números, delineiam a sabedoria do conhecimento, transformam-se em veículos da comunicação, ecoando a voz daqueles que se expressam através deles.

Com um simples toque, eles criam universos inteiros de ideias e significados, mas estão destinados a desaparecer, apagados pelo destino inescrutável.

Óh, histórias em pó de giz, vossas existências fugazes nos ensinam a lição suprema da transitoriedade da vida, da efemeridade de todas as coisas.

Sois testemunhas silenciosas do efêmero esplendor humano, guardiões da história que se desfaz no fluir inexorável do tempo.

Mas apesar de vossa efêmera existência, vossos traços perduram por breves instantes, deixando marcas indeléveis na memória daqueles que por vós passam.

Ah, que lição nos trazeis, óh histórias em pó de giz, sobre a beleza fugaz e a importância dos breves instantes que compõem nossa efêmera jornada pela existência: o desenho de um verdadeiro e infinito amor!

(Betto Gasparetto)

Deixe um comentário