DANÇA DOS MEDOS

(Betto Gasparetto)

Quantas vezes oscilamos em cordas bambas que traídos pelo sutil dos medos, como sombras varrendo os risos e choros em contínuo movimento?
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Quantas vezes pecamos, cercados pelo amor avassalador, tecendo teias das mais profundas incertezas e dúvidas nos recônditos mais íntimos da alma?
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Talvez inseguranças e receios se ocultassem nas sombras mais íngremes e obscuras do tão esquecido coração…
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Talvez criamos o temor, a fragilidade que o amor sempre buscou de amparo…
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Talvez o perigo iminente de uma entrega surpreendentemente plena…
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Quais são os objetivos finais do silenciar dos medos?
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Provavelmente como sentinelas atentas, que vigiam os portões do afeto, ou ainda, erguendo muralhas que buscam proteger-se da vulnerabilidade adormecida…
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Ou quem sabe, do risco íntimo de interpretar por completo o outro…
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Quem sabe nas fissuras mais secretas daquelas ligadas à emoção…
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Onde estão esses temores que a volúpia tomou conta em que dançam, lançando silhuetas sobre a luz radiante do amor, enaltecendo a clareza desse sentimento sublime.

(BettoGasparetto)

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