DANÇA DE OLHARES ENTRE O TEMPO E A BRISA (o lado oculto da História)

(Betto Gasparetto)

FORTALEZA
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Os amores do Tempo com a Princesa Brisa vão tecendo um cenário poético e repleto de segredos pelas escadarias dos céus…
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VERDADES
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Às espreitas, um beijo platônico parece romper as muralhas do medo e do temor. Por serem habilidosos inventores de pátios e portões, Tempo viveu uma história que misturou um grande e sublime amor, tendo como escudo a ousadia dos perplexos olhares dos muitos censores, que envenenavam com comentários invejosos o poder inevitável do singelo amor
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UNIVERSOS
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Em seus corações, aninhavam-se desejos incandescentes contidos num chocolate que convidava a alçar voos jamais imaginados, pelos leitos suados e bravios da paixão…
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FELICIDADES
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Assim sendo, o mais perfeito e inimaginável dos amores de Tempo e a bela Brisa selaram num romântico apreço, o furto de um beijo molhado de hortelã, com abraços esculpidos em suas peles de êxtase e delírios…
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Sim suas paixões brindavam pelas cortinas secretas, o suor que a liberdade trazia e pela possibilidade de voar em outros céus, em outros corredores, em outros pátios, personificadas nas asas de poderem ser livres…
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BENEVOLÊNCIA
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Oh liberdade, porque te fizeram prisioneira dos sentidos óbvios?
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Por que te tratam como objeto de seu anseio mais profundo, se os céus não foram esquartejados?
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NATUREZA
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Onde estão os pensamentos livres que transcendiam as fronteiras terrenas e lhes conferiam a sensação de eternizar a juventude?
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PERDÃO
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Entretanto, o amor entre o Tempo e a bela Brisa, desmedido pelo voo, elevou-os a se amarem pelas redes…
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JURAS
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Envolto na emoção avassaladora que tão arquitetada são as palavras e gestos da bela Brisa, eles desafiaram as tempestades e as advertências dos néscios iconoclastas do magistério profano, por querem brindar com taças de cicuta e mel o distanciamento…
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TRATADOS
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Quem pode negar que os amores do Tempo nunca existiram?
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BENDITOS
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Quem pode cegar os olhares apaixonados da bela Brisa?
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ESPERAS
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Quem nunca sentiu um vazio ao ver sua metade distante?
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PRIVILÉGIOS
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Oh liberdade, pouse rapidamente nos pátios secretos do coração, e com sua força, abra os portões de ferro que separam o “até quando?”…
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SENTIMENTOS
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Que este amor, mesclado com os tempos medievais, e iluminado com a busca renascentista do “ser ou não ser”, possa ensinar ao mundo a importância de um amor equilibrado, que respeite os limites de cada um, e que saiba se elevar com postura empática, sem sucumbir, sem arquear com flechas na intenção de ferir aos anseios desmedidos.
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BEM-ME-QUER
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Entre os campos floridos, Brisa se encantava com o jogo inocente do “bem-me-quer”.
Ela soprava delicadamente as pétalas, sussurrando seu desejo íntimo a cada flor desfolhada.
Era um ritual singelo, mas cheio de significado para ela.
Cada pétala ao chão representava um anseio, um sonho acalentado em seu coração etéreo.
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Por vezes, Brisa se surpreendia com a simplicidade da vida e
como uma brincadeira inocente como aquela podia refletir os anseios mais profundos da alma.
Nos campos, seu “bem-me-quer” chamado Tempo não era apenas uma brincadeira, mas uma forma singela de expressar seus desejos,
suas esperanças e, quem sabe, um amor que pairava no ar, tão fugaz e delicado quanto ela própria.

(Betto Gasparetto)

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