EM TANTOS MARES QUE NAUFRAGUEI, SEMPRE NAVEGUEI BUSCANDO EM DELIRIOS O TEU CORPO SEGURO (Almas Marinhas em 13 partes)

(Betto Gasparetto)

Parte II: Arpões, Rastros de Esperança

Foto por Anatolii Kiriak em Pexels.com

I

Na dança caótica das marés, encontrei rastros de esperança que se desenhavam como constelações fugidias. Teus olhos, qual estrelas cadentes, guiavam-me através das trevas, e os suspiros do vento revelavam promessas sussurradas nas dobras do horizonte, onde o desconhecido se entrelaçava com a promessa de um porto seguro.

II

Nas águas revoltas da jornada, entre os escombros dos naufrágios iniciais, busquei os rastros de esperança que flutuavam como cintilantes estrelas fugidias. Os ventos, agora mais amenos, carregavam o suave perfume da possibilidade, enquanto as ondas, embora ainda inquietas, pareciam sussurrar promessas de encontros iminentes.

III

Ao seguir os rastros de esperança, como um marinheiro orientando-se por estrelas antigas, percebi que cada cicatriz dos naufrágios anteriores era uma carta náutica, um aprendizado que me conduzia na direção certa. As estrelas, agora mais próximas, eram faróis a iluminar o caminho incerto, e o horizonte se tornava uma tela onde o destino pintava suas paisagens.

IV

Em meio aos destroços das minhas expectativas, encontrei a beleza dos recomeços. Os rastros de esperança, como pegadas na areia da praia, indicavam que o oceano vasto da paixão ainda guardava segredos a serem revelados. Cada passo em direção aos rastros era uma renovação de fé, uma aceitação de que, mesmo nos mares tempestuosos, a esperança se manifesta como uma luz guia.

V

Os contornos do teu ser tornavam-se mais nítidos à medida que eu avançava, como se os rastros de esperança fossem trilhas desenhadas pelas mãos do destino. A cada passo, a cada respiração salgada do oceano, sentia-me mais próximo do teu porto seguro, onde as tempestades passadas cediam lugar a uma calmaria anunciada nos gestos de ternura que se delineavam na imaginação.

VI

Nessa busca, os sentimentos assumiam a forma de ondas suaves, carregando consigo a promessa de uma terra firme onde poderíamos ancorar nossos sonhos compartilhados. As estrelas, agora cúmplices confidentes da minha jornada, pareciam conspirar a favor do encontro iminente, alinhando-se no céu como testemunhas silenciosas da construção de uma nova narrativa.

VII

E, entre os rastros de esperança, percebi que a beleza da busca não estava apenas no destino final, mas nos momentos de descoberta ao longo do caminho. Cada rastro marcado pelo tempo e pelas marés era uma história, uma lembrança que ecoava como uma canção suave, embalando-me na travessia emocional em direção ao teu corpo seguro.

VIII

Assim, nos rastros de esperança, encontrava a força para continuar a jornada, ciente de que, mesmo nas águas tumultuadas da vida, há um roteiro de luz desenhado pelos corações que anseiam por se encontrar. Cada passo era uma promessa renovada, um convite ao desconhecido, onde os rastros se entrelaçavam em danças de possibilidades infinitas.

(Betto Gasparetto – v-x)

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