EM TANTOS MARES QUE NAUFRAGUEI, SEMPRE NAVEGUEI BUSCANDO EM DELIRIOS O TEU CORPO SEGURO (Almas Marinhas em 13 partes)

(Betto Gasparetto)

Parte V: Alguns Silêncios entre Olhares e Faróis

Foto por imren tutuncu em Pexels.com

I

No silêncio do êxtase, as ondas do gozo quebravam em suaves murmúrios, e o universo parecia congelar-se em reverência ao nosso enlace. Os corpos entrelaçados eram testemunhas e narradores de uma história escrita com suor e suspiros, em páginas de lençóis amassados.

II

No silêncio dos olhares, onde as palavras são superadas pelas eloquência dos gestos, desbravamos um território onde as emoções fluem em correntes profundas e intensas. Cada olhar é uma narrativa não contada, uma história que se desenrola nos arcos e nos traços da nossa íris.

III

É nesse espaço íntimo, onde as estrelas do desejo iluminam o céu dos nossos olhos, que nos encontramos em uma troca silenciosa de sentimentos. Cada piscar é uma promessa, e a linguagem não verbal se torna o alfabeto através do qual construímos as frases do nosso entendimento mútuo.

IV

Os olhares são mapas que traçam caminhos nos terrenos inexplorados da nossa conexão. Como navegadores destemidos, exploramos os oceanos dos sentimentos, ancorando em ilhas de ternura e navegando por mares de paixão intensa. No silêncio dos olhares, compreendemos que os olhos são janelas para o universo emocional, onde cada piscar é uma estrela cadente desejando-se no céu da contemplação.

V

No silêncio dos olhares, descobrimos que as reticências expressas nas pupilas falam mais alto do que qualquer ponto final. É uma linguagem rica em nuances, onde a ternura reside nos cantos dos olhos e o desejo se manifesta na intensidade de um olhar prolongado. Cada expressão ocular é uma página virada na história que escrevemos sem palavras.

VI

As miradas são diálogos silenciosos que transmitem volumes de significado. Em um único olhar, deciframos o enigma das emoções que dançam entre nós. Nos momentos de cumplicidade, os olhares se tornam poesia, esculpindo versos invisíveis na tapeçaria do nosso relacionamento.

VII

E assim, no silêncio dos olhares, construímos um universo paralelo onde as estrelas do amor são refletidas nos nossos olhos. A comunicação transcende a necessidade de palavras, e o entendimento se aprofunda nos recessos da alma. Cada olhar trocado é uma troca de promessas silenciosas, uma declaração muda de compromisso e conexão.

VIII

Nesse teatro íntimo, onde os olhares são protagonistas, compreendemos que as emoções mais profundas não precisam ser ditas em voz alta. São nas entrelinhas do olhar que encontramos a verdade crua e bela do que somos e do que compartilhamos. No silêncio dos olhares, escrevemos uma história que transcende as limitações das palavras, um conto eterno de amor que se desenrola no elo mágico dos nossos olhos entrelaçados.

(Betto Gasparetto – v-x)

Uma resposta to “EM TANTOS MARES QUE NAUFRAGUEI, SEMPRE NAVEGUEI BUSCANDO EM DELIRIOS O TEU CORPO SEGURO (Almas Marinhas em 13 partes)”

  1. Maria Marciana Says:

    Que magnífico, cada parágrafo, cada palavra é sensacional!

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