SOB A LÂMINA DOS NOSSOS BEIJOS PROIBIDOS CENSURAMOS OS OLHARES DOS CORREDORES

(Betto Gasparetto)

Oh, doce, proibido e indomável beijo, que sob a lâmina dos portões cerrados, os passos romanceados de sentir, ora em chuvas, ora em sóis, no descompasso da caminhada, o teu vulto se desenha em brisa…

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Censuramos, sim, todos os olhares clandestinos, nos corredores dos saberes ocultos das tardes ensolaradas. Em segredo, nossos lábios umedecidos de silêncio e som se encontram, num intrépido amor clandestino e ao mesmo tempo algozes…

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Um romance clássico que se perpetua que enaltece a geografia ainda a ser explorada, como uma rosa desabrochando em meio aos queres…

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Nossos suspiros, ah nossos suspiros que sussurram segredos, os olhares clandestinos em tons de ameaças questionam: “O que está acontecendo? ”, porém, o sol testemunha nossa compulsiva paixão como que validando o sentimento…

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E os pássaros, como testemunhas silenciosas, guardam em suaves melodias nosso segredo sagrado…

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Oh, como é doce esse mel que verte do teu fruto proibido, colhido sob o véu da inocência…

Nosso amor causa arrepios nas poesias tecidas de aforismos e manifestações ardentemente florescidas de razão e sentidos, resistindo assim, às tempestades da sociedade…

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Dançamos pelos corredores, às escondidas, nos perdemos nos compassos, nos entregamos em abraços e olhares nos bastidores dos intervalos a céu aberto…

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Os olhos alheios estão cegos de ira e fome pela ignorância hereditária da falência humana…

São iconoclastas do eu exterior que pelas chamas ofuscantes da decadência, julgam como juízes num tribunal de cegos…

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(…)

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Assim como Romeu e Julieta, que se entregaram às luzes do querer, estamos num momento de pertencimento de palavras bordadas de desafios vencidos…

Mas, eles, quem sabe dos abismos?

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Oh tardes que se foram…

Oh fotografias que registraram sóis e nuvens de muitas tardes….

Os pátios que pelas pedras quais pisamos, deixamos nossos registros em cada passo, em cada pegada até chegar nos portões cerrados de uma muralha que aos poucos se dissipa com o tempo…

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Venha oh brisa encantadora, pousar em meus lábios os cantos harmônicos do querer perpetuar o FICAR MAIS… não num ato breve, mas num ato contínuo…

Censuremos os calendários, os sinais, os portões cerrados, para que sejamos abençoados, para que tenhamos tempo de confabular num silêncio EU QUERO

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Não permitamos que os corredores censurem o que é livre… pois, sob a lâmina dos nossos beijos proibidos, iremos escrever capítulo por capítulo nossa própria história…

Até breve meu amor!

(Betto Gasparetto)

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