QUANDO A CHUVA MOLHOU NOSSOS BEIJOS
(Betto Gasparetto)
I – Os Prelúdios do Encontro

As exclamações da existência, quando as imagens no espelho dançam ao adágio suave dos suspiros, encontramo-nos no ponto crucial dos nossos olhares. A impressão que se dava era como se nós tivéssemos o poder de navegar pelo universo, em sua infinita sabedoria estrategicamente formada, e que pudéssemos tecer nossos fios emocionais para absorver a plenitude do amor. E assim, os nossos olhares tiveram o ímpeto de se cruzarem imantados de desejo e som, atraídos pelo poder soberano do querer, indicando a introdução de um capítulo que se transformava em algo absoluto.
As ações possessivas foram necessárias para dar início ao diálogo romanesco dos corações. O silêncio que entre nós sublimava, era uma tatuagem natural, uma forma orquestrada de sentimentos que trazia efeitos nos cantos escondidos de nossas almas. O nosso encontro sempre foi uma dança, uma coreografia criada espontaneamente pelos nossos passos nas areias do tempo. A cada passo, sentíamos percorrer em nós o vislumbre de olhares pintados de euforia e sonhos e anseios de poder conjugar o verbo ficar.
Assim pelos pergaminhos quais escribas registramos nossas histórias, experimentamos o entrelaçar de memórias e saudades num fio condutor de poder retornar aos paços do amor inquestionável. A magnitude dos queres estão talhadas nos detalhes, nos gestos suntuosos do abraçar, que revelavam uma profunda e icônica maneira de amar o distante, de entender o silêncio das palavras. O universo do teu corpo, oh amada, salpicada de momentos, transformou a vida de um nômade, num grão-vizir que tatuou no coração mortal marcas indeléveis de uma jornada única.
Nem mesmo as areias quais pisei, nem mesmo as incontáveis estrelas quais admirei, pode transcrever aos ventos a terna compreensão que o amor produz. O amor não é apenas um acaso, mas uma composição artística, cuidadosamente pintada pelos pincéis invisíveis do grande mestre. Registre-se, porém, que o pertencimento nos trouxe o completo, deixando-nos ansiosos atentos aos avisos que nossos encontros ainda estão por desdobrar, onde a chuva, oh sábia e encantadora chuva, aquela que molhou nossos beijos, seria a musa das musas que construiria uma história que iria ultrapassar as fronteiras do efêmero.
(Betto Gasparetto)
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