QUANDO A CHUVA MOLHOU NOSSOS BEIJOS
(Betto Gasparetto)
Parte II: A Dança das Chuvas

Visualizamos no horizonte a formação de nuvens cada vez mais espessas… a chuva começou sorrateiramente a cair, ela trouxe em sua bagagem a promessa de renascer. Tinha como os nossos lábios, que aguardavam pela doçura do contato, foram repentinamente selados pela chuva assim como lacramos uma carta com um selo. Cada gotícula que aspergia em nossas peles era um tatuar sentimental do amor que nascia, era um caractere liquido especial que escorria por entre nossos corpos umedecidos de quereres.
Ah chuva que nos traz o alívio de estar em perfeita harmonia com a natureza, era uma realização do mais puro amor a nosso favor. Seus pingos descortinados eram como pérolas delicadamente lapidadas e líquidas que pousavam na galeria da nossa história, enquanto os trovões rugiam delineava-se uma canção que se desenhava. A plenitude do amar não se importou com o véu da tempestade, éramos parte resistente de uma dança que se eternizava, onde a água simbolizava uma benção aos nossos beijos como um agradecimento divino.
Nossos frágeis e sensíveis corações, agora bailam nas partituras da chuva, redesenhando um momento íntimo e que pulsa no universo do teu corpo. Ah água que nos envolve, sabemos, pois, que não era apenas líquida; era um conjunto de quereres que lavava as inseguranças, os medos, os porquês… era um renascer das águas simbólico que nos purificava para a caminhada que se arquitetava. Em cada gota, nossa caminhada, juntos, nos acobertando do frio, dos ventos, sentíamos o pulsar da natureza vibrar em nossos corpos com a intensidade cada vez mais forte do nosso amor.
Dançamos sem perceber o cansaço.
Dançamos sem questionarmos os porquês…
Dançamos como flutuam as memórias dos momentos extasiantes do querer…
Dançamos como protagonistas de uma história que como escribas registramos nos pergaminhos da vitória…
Dançamos como pincéis que se contornam criando uma pintura em movimento de prazeres…
Ah chuva, que testemunhou tantas e tantas vezes nossos silêncios, abençoe sempre nosso enlace como se fosse blindando no legítimo amor que se fortalece cada vez mais. Sob aqueles olhares censores, tóxicos e repletos de futilidades, éramos, somos e sempre seremos amantes intrépidos, que desafiam as intempéries das críticas para com celebrações possamos ter a força da natureza do nosso lado e a força indestrutível ainda maior que é a construção do nosso amor.
Portanto, meu amor, não será a distância que irá desmoronar as muralhas que protegem nosso enaltecido amor. Momentos efêmeros existem para aqueles que vivem na incerteza de ser amor e de ter amor. Hoje compreendemos que através dos nossos olhares e lábios silenciosos, firmamos acordos com muitas cláusulas pétreas, onde nunca ninguém poderá mudar nossa forma de ser e sentir, nossa conexão tem vínculos secretos, nosso poder de amar, nossos direitos de amar e ser amados…
Inevitavelmente estamos imersos no EU TE AMO que vai muito além da compreensão humana. Sabe porquê? Anseio por uma resposta vindo de sua voz, pois assim terei absoluta certeza de que o verbo FICAR pode construir muito mais do que construímos até agora!
(Betto Gasparetto)
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