QUANDO A CHUVA MOLHOU NOSSOS BEIJOS

(Betto Gasparetto)

Parte III: O Eco do Amor Se Imortaliza em Nós

Foto por Olga Shenderova em Pexels.com

Oh meu amor, ainda que distante, sinto teu perfume aspergindo em mim saudades. O céu está descortinando o nublado e gradativamente surgem os raios de sol, inebriando nossa visão com um céu pintado com os matizes da esperança, e vamos compreendendo que nossa caminhada juntos se torna um ciclo prazerosamente interminável. A chuva que molhara nossos beijos tatuou uma marca indelével em nossos desejos permitindo que em nós as bordas do quadro da lembrança fossem alguns capítulos da história construídas nos recantos mais profundos do tempo.

O sol, sempre como mensageiro do renascer, delineava em nossos rostos como um beijo que seria o vício do querer mais, removendo as últimas gotas que nos fizeram prisioneiros da tempestade. A natureza, em sua sabedoria de indescritível forma eternal, sinaliza que o amor genuíno é capaz de criar armaduras de resistência às tormentas mais intensas que o mundo tem, e se elevar radiante na luz que se segue como intocáveis.

Nossos passos nas pedras britas, de um pátio do passado, foram silenciosas ao nos respeitar enquanto amantes de amor compartilhado, desenhavam linhas invisíveis no caminho até chegar aos portões fechados. Queríamos que o tempo parasse, se eternizasse para que pudéssemos conjugar infinitos versos, e brincando com nossos olhares, pudéssemos criar códigos secretos que somente nós teríamos a competência de entende-los e torna-los parte fundamental de nosso script.

Cada sorriso trocado, cada passar de língua nos lábios na ânsia de umedecer as palavras e num grito incontrolável dizer EU TE AMO em todos os dialetos e idiomas existentes no planeta dos mortais. Era sim, um juramento silencioso de cumplicidade, e cada olhar espelhava a busca de compreender mais profundamente, mais intimamente o outro, era compreender de que éramos arquitetos de nossa identidade inabalável.

E agora meu amor? Somos capazes de ouvir a melodia silenciosa do amor imortal que ressoa em nós, em cada batida de coração, ultrapassando todas asa barreiras, as fronteiras do tempo que é finito.

Ah chuva, que testemunhou tantas vezes o renascer do nosso encontro, tornou-se parte integrante do cenário da nossa história. Não foi apenas um capítulo, mas tantos outros que estão no prelo do coração. Um poema talvez não possa contemplar tudo aquilo que contemplamos em nossa finitude… possivelmente possa eternizar nossos escritos, nossos esboços, nossos bilhetes, para que continue a ser recitado por um menestrel ou quem sabe um Dama que se viu atraída pelo Tempo nas noites mais silenciosas em seu leito.

E assim, os dias e as noites comungam cada qual seu objetivo, iluminar e guiar aqueles caminhantes que tem na fé que carregam, o poder do amor eterno… nossos passos compartilham esta caminhada, com o pulsar do universal do desejo infinito de amar e ser amado. Pois, quando a chuva molhou nossos beijos, nasceu ali o início de um AMOR com toda sua realeza. Em cada gota que caiu em nossos corpos, foram firmadas promessa de um amor que desafiaria as estações, buscando a permanência de sermos únicos como uma chama imortal que nunca se apaga. Meu amor, que essa história, que foi bordada, costurada, pintada, dançada na chuva e selada pelo sol, se torne uma inspiração irrefutável para todos os amantes, um ato testemunhal de que, mesmo nas complexidades que simples mortais carregam, o amor possa florescer e perdurar, assim como estamos vivendo hoje e sempre.

(Betto Gasparetto)

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