(Betto Gasparetto)

Num canto silencioso do coração, sinto a dança sutil dos pressentimentos, como folhas de outono sendo levadas pelo vento da incerteza. O eco dos passos que se aproximam ressoa na alma, anunciando um adeus iminente. É como se as sombras se alongassem, tingindo os dias de uma tonalidade mais melancólica, antecipando a despedida que paira no ar.
Os olhos, outrora repletos de promessas e risos compartilhados, agora refletem a sombra de um futuro que se desenha diferente. Cada olhar trocado parece carregar o peso de palavras não ditas, de sentimentos que se escondem nos interstícios do silêncio. O coração, antes batendo em compasso harmonioso, agora parece murchar sob o peso da inevitabilidade.
As palavras se perdem nas entrelinhas, como se o universo conspirasse para embaçar a clareza das despedidas. Há um nó na garganta que sufoca a voz, tornando as despedidas ainda mais difíceis. É como se o tempo, que um dia foi aliado, agora se tornasse um adversário implacável, avançando inexoravelmente em direção a um ponto de separação.
No entanto, mesmo nos pressentimentos de um adeus, há uma beleza triste, uma poesia na melancolia que permeia esse capítulo final. É como se cada suspiro contivesse a história de momentos compartilhados, um elo invisível entre passado e futuro. No crepúsculo da despedida, surgem memórias que se agarram à pele, como tatuagens emocionais, eternizando o que foi vivido.
E assim, nos pressentimentos de um adeus, encontramos a coragem para abraçar o inevitável. Como pétalas de uma flor que se soltam ao vento, deixamos partir o que já não pode ser retido. Na dança delicada entre o adeus e a esperança, descobrimos que, mesmo nas despedidas, há a promessa de um novo começo, uma página em branco aguardando para ser preenchida pela história que está prestes a se desdobrar.
(Betto Gasparetto)








