Fragmentos Humanos (08/50)

(Betto Gasparetto)

VIII – Palavras de Guilhotina

by Dall E-3

Ó palavras de guilhotina, lâminas fatais,
Que cortam o ar com precisão letal,
Vossas letras são sentenças finais,
Cada sílaba um golpe, um fim, um mal.
Em vossa precisão, encontro o desespero,
Cada verbo é um ato de aço severo.

Oh, palavras afiadas, por que sois tão cruéis?

Vossos cortes são profundos, frios, infiéis.
Em vossa entrega, não há piedade,
Apenas a certeza de uma fria verdade.
Cada frase um veredicto, uma condenação,
Que sela destinos com cruel precisão.

Em vossos ecos, há um silêncio cortante,
Que ecoa no tempo, sombrio e constante.

Oh, palavras de guilhotina, por que feris?

Vossos golpes são certeiros, não há raiz.
Como lâminas que descem impiedosas,
Vossas verdades são duras, venenosas.
Cada som é um açoite, um rasgo no ser,
Que deixa cicatrizes que não posso esquecer.
Oh, como fugir de vossa precisão fria,
Que corta a alma, sem mostrar apatia?
Em vossa sombra, o medo prevalece,
E a esperança, lentamente, desaparece.

Mas há uma força em vossa fria clareza,
Uma verdade que, embora dura, tem beleza.
Oh, palavras de guilhotina, sois espelho fiel,
Que reflete o mundo, cruel e cruel.

Vossos cortes revelam a essência nua,
Que a ilusão e a mentira submergem na lua.
Cada golpe vosso é um despertar abrupto,
Que traz à luz o que antes era oculto.
Oh, palavras afiadas, vossa verdade é amarga,
Mas em vossos cortes, a ilusão larga.

E na crueza de vossa precisão mortal,
Encontro a essência do bem e do mal.

Oh, lâminas verbais, vosso poder é imenso,
E em vossa presença, o medo é denso.
Mas há uma lição em vossa frieza,
Que mesmo na dor, traz clareza.

(Betto Gasparetto – ii/xx)

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