Fragmentos Humanos (10/50)

(Betto Gasparetto)

X – Crença das Perpétuas Dores

by Dall E-3

Na crença das perpétuas dores, onde o sofrimento é lei,
Caminhamos por entre sombras, buscando a luz que não se vê.
É um fardo pesado, carregado no peito,
Um manto de tristeza, que envolve nosso ser desfeito.

Em cada esquina, há um eco de lamentos,
Vozes silenciadas, choros sem alentos.
A fé se ergue frágil, como um castelo de areia,
Enfrentando as marés da desesperança que semeia.

Na crença das perpétuas dores, o céu parece surdo,
Às preces dos aflitos, ao apelo do mundo absurdo.
É um ciclo implacável de tormento e desalento,
Onde a esperança murcha como flor sob o vento.

Em cada passo, sentimos o peso da sina,
Um fio tênue de esperança, uma promessa divina.
Mas os deuses parecem distantes, indiferentes ao pranto,
Enquanto os corações queimam em um fogo que é tanto.

Na crença das perpétuas dores, buscamos um alívio,
Uma trégua no tempo, um conforto no ímpio.
É um altar de sacrifícios, onde depositamos fé cega,
Esperando um milagre que dissipe a mágoa que nos nega.

Em cada noite insone, rezamos por um alvorecer,
Um raio de luz que venha nos acolher.
Mas as sombras persistem, os males não se acabam,
E a crença nas perpétuas dores, como uma sina, nos amarram.

No cerne da alma, a dor se entranha, profunda,
É um vínculo eterno, uma chama que nunca se funda.
Mas na crença das perpétuas dores, há uma força resiliente,
Uma fé inabalável, que mantém viva a luz cintilante.

Assim, na crença das perpétuas dores, encontramos o paradoxo,
Entre o sofrimento eterno e o desejo de um novo estoque.
É um caminho árduo, de passos incertos e dúvidas cruéis,
Mas na fé que persiste, buscamos alívio e nos erguemos dos cordéis.

(Betto Gasparetto – ii/xx )

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