Fragmentos Humanos (12/50)

(Betto Gasparetto)

XII – Torturas Labiais

By Dall E-3

Oh, torturas labiais, suspiros de angústia e dor,
Expressões que ocultam o sofrer interior.
Sob o véu dos lábios, escondem-se tormentos,
Em cada palavra não dita, em cada lamento.

És um espetáculo de silêncio, de palavras caladas,
Onde a dor se manifesta em formas disfarçadas.
Cada sorriso forçado é um grito contido,
Um eco de sofrimento, um lamento perdido.

Oh, torturas labiais, vossos movimentos revelam,
Histórias não contadas, que o coração apela.
Em cada curva dos lábios, uma ironia oculta,
Um paradoxo de dor, que a alma culta.

Nos lábios trêmulos, há uma história amarga,
Um conto de desilusões, um fado que se alarga.
És um poema de melancolia, de palavras sem língua,
Onde o silêncio sufoca, onde o tormento apazigua.

Oh, torturas labiais, vossas marcas são profundas,
Cicatrizes de batalhas perdidas, memórias fecundas.
Cada expressão é um campo de batalha, uma arena,
Onde a dor se exibe, onde a alma se desdobra em pena.

Em vossos movimentos, há uma dança de dor,
Um ballet de emoções, onde o sofrer sobrepõe.
Oh, torturas labiais, sois poetas malditos,
Que descrevem em silêncio, os tormentos em gritos.

Assim, em vossas linhas tortuosas, vejo a verdade,
Um retrato da vida, da sua crueldade.
Oh, torturas labiais, em vossos gestos, há uma poesia,
Que narra o drama humano, a sua melancolia.

(Betto Gasparetto – ii/xx)

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