Fragmentos Humanos (22/50)

(Betto Gasparetto)

XXII – O Trem Esqueceu Minhas Malas

By Dall E-3

No trilho da partida, o trem partiu e as malas ficaram,
Abandonadas na plataforma, onde os sonhos se evaporaram.
É o peso do esquecimento, um suspiro de desamparo,
Enquanto o horizonte se afasta, levando consigo o amparo.

Nas malas esquecidas, histórias se desfazem em laços,
Memórias que se perdem no eco dos passos.
É o destino que brinca, que surpreende com sua ironia,
Deixando para trás o que era parte da nossa utopia.

Na plataforma deserta, o eco do adeus ressoa,
Um vazio que se expande, onde a esperança se escoa.
É o lamento silencioso, o eco de um sonho desfeito,
Enquanto as malas esperam, na solidão que as afeita.

No trem que segue adiante, passageiros ignoram o drama,
Enquanto nas malas esquecidas, o tempo derrama.
É a jornada interrompida, um destino que se desfaz,
Enquanto os olhos procuram um último enlace.

Mas nas malas esquecidas, há um silêncio que fala,
Uma história que implora para ser contada, que não cala.
É o encontro com o imprevisto, com o destino em desalinho,
Que nos ensina que mesmo nas malas perdidas, há um caminho.

Assim, no abandono das malas, uma lição se revela,
Que o que se perdeu pode ser o começo de uma nova tela.
É a resignação que se transforma em esperança renovada,
Enquanto o trem esquece as malas, o coração ainda busca a jornada.

(Betto Gasparetto – ii/xx)

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