Fragmentos Humanos (47/50)

(Betto Gasparetto)

XLVII – Palavras Cortantes

By Dall-E 3

I

Mas, oh, cicatrizes, há uma beleza estranha,
Em tua dor lenta e arcanja.
Um brilho tênue em tua sombra densa,
Uma verdade amarga,

mas imensa.

(…)
Pois em tua queda,

há um aprendizado,
Um reconhecimento do inevitável fado.
Teu ritmo é um lembrete constante,
De que a vida é frágil,

e o tempo, inconstante.

(…)
Oh, dor, em tua dança eu vejo,
A verdade nua,

sem nenhum pejo.
Que em cada passo,

há uma nova lição,
E na tua dor, uma revelação.

Como a folha que no outono se desprende,
Em tua dor, a vida se rende.
Há uma beleza na dor lenta,
Uma aceitação, uma paz cinzenta.

II
Pois em teu ritmo, encontro a verdade,
Que tudo é transitório, até a felicidade.

(…)
Oh, dor, tua dança é amarga,
Mas há uma doçura em tua saga.
Pois ao aceitar tua dor final,
Encontro uma paz, ainda que terminal.
Em tua melodia,

ouço a voz do tempo,
E na tua queda, encontro meu alento.

Ó dor, tua dor é um espelho,
Que reflete a vida,

em seu último conselho.
Cada nota tua,

uma memória desvanecente,
Cada acorde, um suspiro decadente.

III
Mas em tua melodia, á uma sinceridade,
Que transcende a dor, e toca a eternidade.
Oh, dor que marca o fim do dia,
Em teu ritmo, encontro minha poesia.
Pois em tua sombra,

há uma luz escondida,
Uma faísca de esperança, não esquecida.

(…)
Em tua dor, aceito meu destino,
E em tua melodia, encontro meu hino.

Assim, na dor de tua cicatriz,
Encontro a verdade em sua essência.
Aceito teu ritmo, tua melodia triste,
Pois em tua sombra, a verdade persiste.

IV
Ó dor, tua dança é final,
Mas há beleza em teu ritual.
Em tua ausência,

encontro a paz,
Que a incerteza da vida desfaz.
Pois ao aceitar a cicatriz inevitável,
Encontro uma serenidade inigualável.
E na melodia de tua canção final,
Encontro a verdade, a paz, o bem e o mal.

(Betto Gasparetto – iii/xx)

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