(Betto Gasparetto)
I – Meus Dias Contados

By Dall E-3
A ti, ó Tempo, meu ardente pensamento,
Em contemplação profunda,
minha alma anseia,
Pois em teu domínio, meus dias vão-se em tormento,
E com cada tique,
as areias da vida suspiram.
Ah, as sombras alongam-se sobre o dia,
Em sussurros silenciosos,
o Tempo se esvai…
Oh, como desejo deter teu avanço rápido,
Para saborear os momentos em seu estado puro,
No entanto, estou preso em tua dança incessante,
Onde o destino e a fortuna ditam seu curso.
No crepúsculo,
meu espírito reflete,
Sobre todos os sonhos que o Tempo intercepta.
Quão cruelmente separas a esperança do coração,
E deixas de lado ambições outrora tão brilhantes,
Em marcha impiedosa,
tu desfazes a vida,
Envolvendo a promessa do futuro na noite.
Contudo, nesta escuridão,
um farol tênue brilha,
Um lampejo do que poderia ter sido, eu imagino.
Oh, Tempo, és uma espada de dois gumes,
Que traz tanto alegria quanto tristeza em teu rastro,
Pois cada momento estimado,
cada palavra,
Tu retiras, deixando-nos corações a doer.
Mas em teu rastro,
há uma amarga verdade,
Que todos devem envelhecer,
e a beleza murcha a juventude.
Muitas vezes ponderei sobre teu mistério,
E busquei em vão alterar teu decreto,
Pois em teu curso reside toda a história,
Um conto não escrito,
ilimitado,
ainda por vir.
Em momentos breves, o mundo renasce,
E em teu fluxo,
toda a vida deve acumular-se.
Do amanhecer ao anoitecer,
tua passagem é despercebida,
Salvo pelas linhas em nosso rosto gravadas,
Teu passo silencioso,
por ninguém pode ser marcado,
No entanto, em nossas almas, tua presença está entrelaçada.
Oh, Tempo, és um ladrão sutil e silencioso,
Que em tua passagem,
não deixas nada além de tristeza.
(Betto Gasparetto – iv/xxi)

