Fragmentos Humanos (39/50)
(Betto Gasparetto)
XXXIX – Quando o Olhar se Tornou Pedra

By Dall E-3
I
Quando o olhar se tornou pedra,
a alma se endureceu,
Entre o que se sente e o que se mostra,
a frieza prevaleceu.
São pupilas que não refletem mais a luz da compaixão,
Um distanciamento que se solidifica,
uma barreira em vão.
Nos abismos desses olhares de pedra, há o vazio do sentir,
A ausência de empatia,
o desapego que se impõe sem partir.
II
São os resquícios de uma conexão que se perdeu no caminho,
Onde antes havia calor,
agora há um gelo que não é mais benigno.
Mas entre os olhares de pedra,
há a memória de um tempo melhor,
De olhares que transmitiam amor,
de conexões que eram calor.
É a nostalgia de um passado de ternura,
de momentos compartilhados,
Mesmo que o olhar se torne pedra,
a esperança não é apagada.
Quando o olhar se tornou pedra,
o mundo perdeu seu brilho,
Reflexos que antes eram vivos,
agora frios como um trilho.
III
A alma se endureceu,
os sentimentos se petrificaram,
Em cada gesto de indiferença,
as emoções se dissiparam.
Nos abismos desse olhar de pedra,
há um eco de solidão,
Onde antes havia compreensão,
agora há apenas a desilusão.
É o silêncio que grita,
a distância que se impõe sem perdão,
Um vazio que cresce,
uma conexão que se desfaz na escuridão.
Mas entre os escombros do olhar de pedra,
há memórias de um tempo,
De momentos de ternura,
de olhares que eram suaves como o vento.
IV
É a saudade do calor humano,
da empatia que se perdeu,
Mesmo quando o olhar se torna pedra,
o coração ainda bate seu adeus.
E assim, quando o olhar se transforma em pedra,
aprendemos a resignação,
A aceitar que nem todos os laços resistem à erosão.
Entre a frieza que endurece e a esperança que não se perde,
O olhar de pedra ensina que,
mesmo na dor,
há uma jornada que se segue.
(Betto Gasparetto – iii/xx)



