(Brenda Gasparetto)

by DALL-E 3
I
Ó infindáveis horas, no contratempo e no romper das minhas lástimas!
Trazei de volta os abraços daquele que outrora abrigaram meu ser,
Abraços tais que alimentaram minh’alma amargurada com ternura.
II
Ó devorador dos filhos de Zeus!
Trazei de volta aquele que enalteceu meu pranto e transformou-os
em melodias únicas, como o despertar das auroras, como o cantar dos pássaros,
como os astros e a luz do luar, sempre exaltando tudo que é belo…
Perpetua em mim os sussurros afáveis de meu amado, digno e santificado até o meu último respirar…
E para que nessa terra de corações deserdados, assim eu possa tentar me salvar!
III
Ó areia que se desfaz nos dedos da eternidade,
Peço-te que alivie a saudade infinita que em meu peito está, reconfortando a vontade aflita de
querê-lo só para mim…
E em devoção, eu afirmo convicta
Que em meio a muitas despedidas, meu sofrer jamais terá um fim…
IV
Ó labirintos temporais que por onde escorre os “ais”…
Atendei minhas súplicas!
Salvai meu coração que insiste pulsar em ritmos fleumáticos, na penumbra …
Livrai o meu sonhar das amarguras
para enfim expor meu amor à suave luz da lua!
Permita-me que eu conquiste triunfante, trazê-lo dos meus versos agonizantes,
para um resplandecente renascer!
V
Ó misero destino!
Fazei-me encantar como Orfeu em desalinho, pois ando a compor e a sonhar em delírios com o meu amor! Não quero ser torturado no Hades que insisteem querer manter no peito a saudade …
Na finitude do meu ser, eu evoco canções que tombam em cadência…
Num mero sonho a contemplar e com um triste suspirar nessa eterna penitência.
(Brenda Gasparetto – viii/xxiv)